O aviso de Hillary Clinton à Europa: travem a imigração para parar populismos

Numa entrevista ao The Guardian, ex-candidata presidencial democrata diz que a Europa já fez a sua parte de deve enviar uma mensagem muito clara - "não vamos ser capazes de continuar a garantir refúgio e apoio".

A ex-candidata presidencial democrata Hillary Clinton defende a necessidade de a Europa travar a imigração de forma a pôr um travão aos populismos, particularmente os de direita, vendo neste tema o combustível que contribuiu para a vitória do "sim" no referendo sobre o brexit no Reino Unido, tal como para a eleição de Donald Trump nos EUA.

"Acho que a Europa precisa de lidar com a imigração porque foi isso que acendeu a chama", disse Clinton, uma das três figuras políticas entrevistadas pelo The Guardian para um ciclo sobre a ascensão dos populismos, principalmente de direita, na Europa e nas Américas. Segundo a ex-candidata presidencial democrata, foi a imigração que exaltou os ânimos dos eleitores e contribuiu para a eleição de Donald Trump nos EUA e o voto no Reino Unido para sair da União Europeia. O brexit é apelidado por Clinton de "o maior ator de auto-agressão económica na história moderna".

O jornal britânico entrevistou também os ex-primeiros-ministros britânico Tony Blair e italiano Matteo Renzi.

"Admiro a abordagem muito generosa e solidária que foi seguida particularmente por líderes como Angela Merkel, mas acho que é justo dizer que a Europa já fez a sua parte e deve enviar uma mensagem muito clara - 'não vamos ser capazes de continuar a garantir refúgio e apoio' - porque se não lidarmos com os temas da migração continuará a agitar a política", afirmou.

Clinton acusa Trump de explorar o tema na campanha eleitoral e já na Casa Branca. "O uso da imigração como instrumento político e como símbolo de um governo que acabou mal, de ataque à herança de alguém, à identidade de alguém, tem sido explorada pela atual administração", referiu. "Há soluções para a migração que não requerem pressionar a imprensa, os opositores políticos ou tentar subornar o judiciário, ou procurar ajuda financeira e política da Rússia para apoiar os teus movimentos e partidos políticos", acrescentou.

Para a antiga senadora, os populismos de direita respondem também a uma "vontade psicológica" de querer menos responsabilidade. "Todo o sistema americano foi desenhado para eliminar a ameaça de um rei ou outro líder autoritário e poderoso e talvez as pessoas estejam cansadas disso. Elas não querem assim tanta responsabilidade e liberdade. Querem que lhes digam o que fazer e onde ir e onde viver... e só receber uma versão da realidade. Não sei porque é que, neste momento, isso é tão atrativo para as pessoas, mas é uma ameaça séria à nossa liberdade e às nossas instituições democráticas e temos que fazer um melhor trabalho a chamar a atenção para isso e tentar combate-lo".

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