Abusos sexuais. Núncio apostólico em França ouvido a seu pedido

Representante do Vaticano em França é suspeito de "agressão sexual". Quis ser ouvido sem esperar pelo levantamento da imunidade diplomática, que já tinha sido pedida pelo Ministério Público.

O representante do Vaticano em França, sob investigação em Paris por "agressão sexual", foi ouvido pela polícia "a seu pedido", de acordo com uma fonte judicial.

O núncio apostólico, Luigi Ventura, foi "ouvido a seu pedido" no início de abril sem esperar pelo levantamento da sua imunidade diplomática, que havia sido solicitado pelo Ministério Público de Paris, disse hoje fonte judicial, confirmando uma informação divulgada na rádio Europe 1.

Uma investigação foi aberta a 24 de janeiro pelo procurador de Paris, no contexto de múltiplos escândalos sexuais que afetam a Igreja Católica.

A autarquia de Paris tinha informado o procurador que um jovem se queixou de toques repetidos -- passando com as mãos sobre as suas nádegas - por parte do núncio apostólico numa cerimónia de juramento de autoridades diplomáticas, a 17 de janeiro.

Em seguida, dois outros queixosos manifestaram-se e contaram histórias semelhantes de "mãos sobre as nádegas" em 2018. Os três homens foram interrogados pelos investigadores.

Diplomata de carreira do Vaticano, Ventura serve como núncio apostólico desde 2009 em Paris. Ele é responsável pelas relações do Vaticano com as autoridades francesas e pelas relações com os bispos de França.

Dadas as suas funções, goza de imunidade diplomática e não pode ser condicionado pelos investigadores. A decisão de retirar a imunidade pertence ao Vaticano.

No início de março, a ex-ministra francesa dos Assuntos Europeus, Nathalie Loiseau, disse que esperar que o Vaticano assumisse as suas "responsabilidades".

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