Num continente dividido, EUA aplicam mais sanções à Venezuela

Declaração de Lima foi assinada por 12 dos 17 países presentes

Em Lima, 12 países disseram que não vão reconhecer a Constituinte. Em Caracas, outros 13 louvaram o ato soberano da sua eleição. Falta de consenso trava ação conjunta

Os chefes da diplomacia de 12 países do continente americano assinaram a Declaração de Lima, na qual dizem "não reconhecer a Assembleia Constituinte" da Venezuela e apoiam a procuradora-geral, Luisa Ortega, destituída por este organismo. A quase três mil quilómetros de distância, em Caracas, outros 13 ministros dos Negócios Estrangeiros da região criticaram as "sanções económicas arbitrárias e ilegais" contra o governo do presidente Nicolás Maduro. Os primeiros representam um território dez vezes superior e têm seis vezes mais população do que os segundos. Mas na Organização de Estados Americanos (OEA) todos têm direito a um voto e isso trava qualquer ação conjunta contra a Venezuela. Enquanto isso, os EUA aprovam mais sanções.

Argentina, Brasil, Canadá, Chile, Colômbia, Costa Rica, Guatemala, Honduras, México, Panamá, Paraguai e Peru estiveram na reunião em Lima, onde condenaram a "rutura da ordem democrática" na Venezuela e demonstraram o "apoio pleno e solidariedade com a Assembleia Nacional, democraticamente eleita". Prometem não reconhecer as medidas aprovadas pela Constituinte, eleita numas eleições marcadas pelo boicote da oposição e as denúncias de fraude. Rejeitaram e condenaram a violência e mostraram-se disponíveis para "apoiar de maneira urgente e no marco do respeito pela soberania venezuelana" os esforços de diálogo. Na reunião também estiveram representantes da Jamaica, Guiana, Santa Lúcia, Granada e do Uruguai, que não assinaram contudo a declaração.

Em Caracas, 13 países apelaram à não ingerência

Em Caracas, o novo chefe da diplomacia venezuelano, Jorge Arreaza, foi o anfitrião da reunião dos países da Aliança Bolivariana para os Povos da América Latina e Caraíbas - que inclui Bolívia, Cuba, Equador e Nicarágua, mas também Antígua e Barbuda, Dominica, Granada, São Cristóvão e Nevis, Santa Lúcia, São Vicente e Granadinas, Suriname e Haiti. Para estes países, a eleição da Constituinte foi "um autêntico ato soberano" e que "só compete aos venezuelanos superar as suas dificuldades, sem intromissão, ameaças ou condicionamentos". Mas apelam também ao "diálogo construtivo" entre governo e oposição.

Apesar da divisão díspar no continente em relação à crise na Venezuela - são os representantes de quase 550 milhões de habitantes de um lado contra 90 milhões do outro -, o facto de na OEA cada país ter direito a um voto isso significa que é impossível a maioria de dois terços necessária para permitir sequer a aprovação de uma resolução. Foi o que aconteceu na última reunião dos 34 países, no México, onde com oito abstenções e cinco votos contra nem uma resolução considerada "suave" teve luz verde.

Além das questões ideológicas que mantêm como aliados incondicionais de Maduro países como Cuba, Bolívia ou Nicarágua, há questões económicas que ligam a Venezuela há uma dúzia de países das Caraíbas, que recebem petróleo a preços reduzidos de Caracas.

Apesar da falta de acordo continental, a oposição venezuelana agradece todas as condenações internacionais ao governo de Maduro, considerando que a pressão internacional é essencial para uma mudança política. "Esta luta vai continuar e é uma batalha que tem mais apoio por parte da comunidade internacional", disse Julio Borges, o líder da Assembleia Nacional.

Enquanto uma resolução conjunta é impossível, países como os EUA (que não esteve na reunião de Lima) vão tomando medidas unilaterais. Ontem, o Departamento do Tesouro norte-americano aprovou novas sanções contra oito responsáveis venezuelanos. Entre eles está o irmão do falecido presidente Hugo Chávez, Adan Chávez, que foi nomeado secretário da Comissão Presidencial da Constituinte.

A nível global, o apoio da China e da Rússia (que têm interesses económicos na Venezuela) impedem também uma posição conjunta no Conselho de Segurança da ONU. Quanto à União Europeia, apesar do não reconhecimento da Constituinte, não tem havido consenso para avançar para sanções.

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