Angela Merkel reconhece que acordo nuclear "não é perfeito"

O presidente francês, Emmanuel Macron, destacou a importância do acordo nuclear de 2015 para construir a paz e a estabilidade na Europa. A chanceler alemã reconhece que este tem de ser preservado

Os países da União Europeia concordam que o acordo nuclear iraniano "não é perfeito", mas deve ser preservado, afirmou esta quinta-feira a chanceler alemã, Angela Merkel, em Sófia, Bulgária, após uma discussão sobre o assunto entre os 28.

"Cada um dos Estados-membros da UE partilha a opinião de que o acordo não é perfeito, mas que devemos manter-nos nele e prosseguir as negociações com o Irão sobre outros temas, como os mísseis balísticos", disse, à entrada para a Cimeira União Europeia-Balcãs, em Sófia.

O acordo nuclear do Irão foi um dos temas debatidos na quarta-feira à noite, num jantar informal que reuniu os chefes de Estado e de Governo do bloco comunitário na capital da Bulgária.

O Presidente francês, que chegou ao Palácio Nacional da Cultura de Sófia ladeado por Merkel e pela primeira-ministra britânica, Theresa May, reforçou a mensagem da chanceler alemã.

"Há uma união muito forte entre três países, que são a França, a Alemanha e o Reino Unido, mas ontem constatámos uma verdadeira união europeia para enaltecer o nosso envolvimento neste quadro", revelou.

Emmanuel Macron sublinhou que a Europa está unida na vontade de construir a paz e a estabilidade na região, e que o acordo nuclear de 2015 é "um elemento importante nesse equilíbrio".

"Pretendemos orientar todas as partes e prosseguir as negociações para um acordo mais amplo indispensável. É o que defendo desde setembro. O acordo de 2015 deve ser completado com um acordo sobre o nuclear pós-2025, que inclua as atividades balísticas e a presença regional", sustentou.

Os europeus pretendem contribuir com o seu "envolvimento político", para garantir que as empresas europeias possam manter-se no Irão.

O Presidente Donald Trump anunciou na semana passada que os Estados Unidos abandonaram o acordo nuclear assinado em 2015 entre o Irão e o grupo 5+1 (os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança - Estados Unidos, Rússia, China, França e Reino Unido -- e a Alemanha).

Nos termos do acordo, Teerão aceitou congelar o seu programa nuclear até 2025.

Os partidários do acordo internacional sobre o programa nuclear iraniano asseguram que este acordo é a melhor garantia para impedir que o Irão se dote da bomba atómica.

A chefe da diplomacia europeia, Federica Mogherini, tem reiterado a determinação da Europa de cumprir o acordo nuclear com o Irão.

Ler mais

Premium

Henrique Burnay

Discretamente, sem ninguém ver

Enquanto nos Estados Unidos se discute se o candidato a juiz do Supremo Tribunal de Justiça americano tentou, ou não, há 36 anos abusar, ou mesmo violar, uma colega (quando tinham 17 e 15 anos), para além de tudo o que Kavanauhg pensa, pensou, já disse ou escreveu sobre o que quer que seja, em Portugal ninguém desconfia quem seja, o que pensa ou o que pretende fazer a senhora nomeada procuradora-geral da República, na noite de quinta-feira passada. Enquanto lá se esmiúça, por cá elogia-se (quem elogia) que o primeiro-ministro e o Presidente da República tenham muito discretamente combinado entre si e apanhado toda a gente de surpresa. Aliás, o apanhar toda a gente de surpresa deu, até, direito a que se recordasse como havia aqui genialidade tática. E os jornais que garantiram ter boas fontes a informar que ia ser outra coisa pedem desculpa mas não dizem se enganaram ou foram enganados. A diferença entre lá e cá é monumental.

Premium

Ruy Castro

À falta do Nobel, o Ig Nobel

Uma das frustrações brasileiras históricas é a de que, até hoje, o Brasil não ganhou um Prémio Nobel. Não por falta de quem o merecesse - se fizesse direitinho o seu dever de casa, a Academia Sueca, que distribui o prémio desde 1901, teria descoberto qualidades no nosso Alberto Santos-Dumont, que foi o verdadeiro inventor do avião, em João Guimarães Rosa, autor do romance Grande Sertão: Veredas, escrito num misto de português e sânscrito arcaico, e, naturalmente, no querido Garrincha, nem que tivessem de providenciar uma categoria especial para ele.