Novo governo da Islândia reúne esquerda e direita após intensas negociações

Katrin Jakobsdottir é a nova primeira-ministra da Islândia e a segunda mulher a ocupar o cargo

O novo governo da Islândia foi hoje formalizado após intensas negociações entre três forças políticas que estão ideologicamente separadas (Esquerda Verde, conservadores e centristas), um mês depois da realização de eleições antecipadas, as segundas num ano.

Aos 41 anos, Katrin Jakobsdottir, líder do movimento Esquerda Verde, torna-se na segunda mulher a ocupar o cargo de primeira-ministra da Islândia, depois de ter alcançado um acordo com os conservadores do Partido da Independência e com os centristas do Partido do Progresso.

"Este é um momento muito interessante na história política islandesa, porque estes três partidos são muito diferentes", disse a nova chefe do governo de coligação islandês, em declarações à agência noticiosa francesa France Presse (AFP).

Katrin Jakobsdottir, cuja força partidária fica responsável pelas pastas da Saúde e do Ambiente, está agora associada com o seu antigo rival político, o ex-primeiro-ministro Bjarni Benediktsson, de 47 anos.

O Partido da Independência de Benediktsson garantiu a tutela das áreas das Finanças, dos Negócios Estrangeiros e da Justiça. Os conservadores ficam também com as Pescas e com a Agricultura.

Já os centristas do Partido do Progresso ficam com as pastas do Turismo e da Indústria.

As eleições antecipadas de 28 de outubro, as segundas num ano e as quintas desde 2007, foram desencadeadas depois de um novo escândalo político ter provocado a queda do governo do então primeiro-ministro conservador Bjarni Benediktsson.

Foi o próprio Bjarni Benediktsson quem anunciou em setembro a antecipação das eleições, depois de o partido centrista Futuro Radioso ter anunciado que retirava o apoio parlamentar ao governo de coligação formado nove meses antes.

Os centristas acusaram então Benediktsson de ter escondido dos aliados políticos e da opinião pública que o pai, um dos empresários mais ricos da Islândia, tinha assinado uma declaração de "restauração da honra" para um amigo, condenado a cinco anos e meio de prisão por abuso sexual de uma filha adotiva menor de idade.

No centro do escândalo esteve uma controversa disposição do código penal islandês que permite aos detidos que tenham cumprido pena solicitar uma tal declaração, para que possam, por exemplo, apresentar-se a eleições ou exercer advocacia.

Antigo ministro das Finanças, Benediktsson, foi ainda citado nos "Papéis do Panamá", revelados em 2016 e que envolveram centenas de islandeses com fundos em paraísos fiscais, levando à demissão do primeiro-ministro de então, Sigmundur David Gunnlaugsson.

Benediktsson venceu as eleições de 29 de outubro de 2016 com 29% e conseguiu formar governo, em janeiro, depois de prolongadas negociações, formando uma coligação com o Futuro Radioso e o partido Renascimento (centro-direita).

Este executivo perdeu o apoio no Althingi, o parlamento islandês, ao fim de nove meses, tornando-se o executivo "mais efémero" do pós-guerra.

Depois da crise financeira em 2008 que devastou a economia islandesa, o país conseguiu uma recuperação expressiva.

Com cerca de 350.00 habitantes, a Islândia cresceu 7,6% em 2016, a taxa mais elevada entre todos os países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE).

Os dados mais recentes, relativos ao segundo semestre de 2017, são de uma taxa de crescimento de 3,4% e uma taxa de desemprego de 2,5%.

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