Ataque de grupo armado terá provocado seis mortos no norte de Moçambique

No ataque à aldeia de Naunde, no distrito de Macomia, foram incendiadas várias casas habitadas

Um ataque de um grupo armado à aldeia de Naunde, distrito de Macomia, no norte de Moçambique, terá provocado pelo menos seis mortos durante a última madrugada, disseram residentes na região à agência Lusa.

Trata-se de um novo ataque a povoações remotas do meio rural da província de Cabo Delgado, depois de noutras incursões, há uma semana, 10 habitantes terem sido decapitados.

Quatro pessoas morreram ao serem atacadas com catanas, já durante a fuga

No ataque desta madrugada, foram incendiadas várias casas habitadas.

A maioria das pessoas conseguiu fugir, mas duas morreram queimadas, referiu um dos residentes na região à Lusa.

Outras quatro pessoas morreram ao serem atacadas com catanas, já durante a fuga.

Segundo as mesmas fontes, foram ainda incendiadas várias barracas de comércio e dois carros de transporte coletivo.

Há ainda relatos de que vários medicamentos terão sido roubados de um centro de saúde que foi também vandalizado.

A aldeia é um local sem eletricidade e sem outras infraestruturas, onde as habitações são feitas de materiais tradicionais como blocos de adobe.

A Polícia da República de Moçambique (PRM) referiu à Lusa que está a fazer o levantamento da situação em Naunde e remeteu mais informação para uma conferência de imprensa a realizar esta tarde.

Um estudo divulgado em maio aponta a existência de redes de comércio ilegal na região e a movimentação de grupos radicais islâmicos

A província de Cabo Delgado, no norte de Moçambique, tem sido alvo de ataques de grupos armados desde outubro de 2017, causando um número indeterminado de mortes e deslocados.

Um estudo divulgado em maio, em Maputo, aponta a existência de redes de comércio ilegal na região e a movimentação de grupos radicais islâmicos, oriundos de países a norte, como algumas das raízes da violência.

Diversos investimentos estão a avançar na província para exploração de gás natural dentro de cinco a seis anos, no mar e em terra, com o envolvimento de algumas das grandes petrolíferas mundiais.

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