Nova queixa de agressão sexual contra candidato de Trump ao Supremo

Colega de Brett Kavanaugh em Yale acusa o juiz de ter exibido o pénis em frente à sua cara numa festa universitária em 1983/84. Trump sai em dedesa do seu candidato.

Há uma nova queixa de violência sexual contra o candidato de Donald Trump ao Supremo Tribunal norte-americano. Deborah Ramirez, colega de Brett Kavanaugh em Yale, acusa o juiz de a ter assediado numa festa universitária no ano letivo de 1983/84, juntando-se às acusações de Christine Blasey Ford, uma professora de psicologia da Califórnia, que há uma semana relatou agressões de Kavanaugh em 1982.

As denúncias de Deborah Ramirez, de 53 anos, foram publicadas na New Yorker por Ronan Farrow, autor da reportagem da semana passada e um dos jornalistas que ajudou a tornar público o caso Harvey Weinstein, e por Jane Meyer. Os jornalistas seguiram a pista de denúncias sobre o comportamento sexual de Brett Kavanaugh na faculdade feitas a senadores democratas por um advogado de direitos humanos. Ramirez ter-se-á mostrado relutante a abordar o assunto num primeiro contacto, porque "a sua memória tinha falhas por ter estado a beber na altura dos acontecimentos". Mas seis dias depois, e após se ter aconselhado com o seu advogado, mostrou segurança em afirmar que se recordava de Kavanaugh ter baixado as calças à sua frente numa festa de dormitório, tendo depois empurrado o pénis contra a sua cara, altura em que a então estudante de Sociologia e Psicologia o terá afastado.

Os jornalistas seguiram a pista de denúncias sobre o comportamento sexual de Brett Kavanaugh na faculdade feitas a senadores democratas por um advogado de direitos humanos

A agressão terá ocorrido durante um jogo álcoolico, em que os estudantes dispostos em círculo escolhiam quem bebia a seguir. Deborah Ramirez diz ter sido escolhida muitas vezes, tendo ficado alcoolizada rapidamente. A dada altura, um colega apontou-lhe um pénis de plástico e mais tarde, quando já estava atordoada no chão, lembra-se de ver outro aluno a despir-se à sua frente e "exibir o pénis", enquanto outros estudante a encorajavam a "beijá-lo". Foi nessa altura que empurrou o agressor, tocando-lhe nos genitais, tendo depois visto Kavanaugh a rir-se ao seu lado enquanto levantava as calças. "Eu não ia tocar num pénis até ser casada, senti-me embaraçada, envergonhada e humilhada", reforça Ramirez, que recorda as suas raízes católicas. "Penso que isto justificaria uma investigação do FBI".

"Uma campanha de difamação", diz juiz


Os jornalistas contactaram vários colegas de Brett Kavanaugh e Deborah Ramirez para tentar confirmar as acusações e três deles confirmaram conversas "vagas" sobre o caso nessa altura, enquanto outros dois homens alegadamente envolvidos no incidente negaram as acusações contra Brett Kavanaugh, versão confirmada por outras testemunhas. O candidato ao Supremo Tribunal também já veio desmentir esta nova suspeita, que rotula de mais uma peça na campanha de difamação orquestrada contra si. "Este alegado evento de há 35 anos não aconteceu. As pessoas que me conheciam na altura sabem que isto não aconteceu e já o disseram. Isto é uma difamação, pura e simplesmente. Estou ansioso por testemunhar na quinta-feira para defender o meu bom-nome - e a reputação de integridade que demorei toda uma vida construir - contra estas alegações de última hora".

Um porta-voz da Casa Branca, Kerry Kupec, alinha pelo mesmo discurso, ao afirmar que estas acusações fazem parte de "uma campanha de difamação coordenada pelos democratas com o objetivo de deitar abaixo um homem bom", reiterando o apoio do presidente dos Estados Unidos da América ao juiz. Mas dentro do Senado há visões diferentes. As novas queixas contra Kavanaugh chegaram aos gabinetes de pelo menos quatro senadores democratas, e pelo menos dois deles iniciaram investigações. "Esta é outra séria, credível e perturbadora acusação contra Brett Kavanaugh, deve ser completamente investigada", defende a senadora democrata do Havai, Mazie Hirono.

Esta nova acusação surgiu horas depois do comité do Senado ter acordado uma data e hora para uma audiência para ouvir a primeira mulher que acusou Brett Kavanaugh de abuso sexual. "Estamos comprometidos em avançar com uma audiência pública na quinta-feira, 27 de setembro, às 10:00 (15:00 em Lisboa). Apesar das atuais ameaças à sua segurança e à sua vida, a Dr.ª Ford acredita que é importante para os senadores ouvi-la diretamente", lê-se numa mensagem dos advogados de Christine Blasey Ford, citada pela imprensa norte-americana. Christine Blasey Ford, psicóloga, comprometeu-se com a audiência aberta, confirmaram os advogados em comunicado.

A mulher acusou Kavanaugh de a agredir sexualmente numa festa, quando ambos andavam na escola secundária, nos princípios da década de 1980. O juiz negou, mas a questão está a atrasar a sua confirmação para o Supremo.

Apoio de Trump

"O juiz Kavanaugh é uma pessoa excecional. Estou com ele até ao fim", disse o presidente norte-americano, Donald Trump, à chegada a Nova Iorque, para participar na Assembleia Geral das Nações Unidas.

Para Trump, as acusações contra o juiz são "totalmente políticas".

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