No fogo do Museu houve quem arriscasse para salvar peças

Professores, alunos e funcionários não ficaram impassíveis perante o incêndio e salvaram o que puderam.

Dezenas de funcionários, professores e alunos do Museu Nacional acorreram à Quinta da Boa Vista para tentar salvar parte do acervo que foi atacado pelo fogo. A Polícia Militar, que fez um cordão de segurança à volta do edifício, tentou impedir a entrada das pessoas, mas houve quem conseguissefurar as medidas de segurança e tentasse salvar algumas das peças únicas - mas também materiais de laboratório - que o fogo ameaçava.

Segundo conta a BBC, o professor de ictiologia (estudo dos peixes) Paulo Buckup foi um dos que, perante a incapacidade dos bombeiros, decidiram agir. Arrombaram portas e trouxeram peças "insubstituíveis". "Os bombeiros não tinham condições de fazer nada, de combater nada (...) Não tinham água, não tinham escadas, equipamento", afirmou Buckup.

"Esse material é único porque é a base para conhecer as espécies descritas ao longo do último século. Sem isso, perdemos esse registo", afirmou o docente, que se afirmou "desolado" perante a perda.

Peixe-serra de cinco metros

Investigador do Departamento de Vertebrados do Museu Nacional, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Paulo Buckup adiantou que estavam a preparar uma exposição com um exemplar de cinco metros de comprimento de um peixe-serra. Um exemplar que hoje é "raríssimo".

Ao Extra, a vice-diretora do museu, Cristiana Cerezo, lamentou que o incêndio tenha acontecido antes da entrada em vigor do plano de retirada de produtos inflamáveis, bem como a atualização do programa de prevenção de incêndios.

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