"Ninguém morre por não ter acesso a cuidados de saúde"

Congressista republicano está a ser atacado por não perceber como é que a nova proposta de lei para a saúde pode prejudicar milhões de americanos.

"Ninguém morre por não ter acesso a cuidados de saúde." A frase foi proferida pelo congressista republicano Raúl R. Labrador, durante uma sessão pública em Lewiston, no estado de Idaho, um dia depois de a Câmara dos Representantes ter aprovado o American Health Care Act, uma lei que revoga a legislação sobre acesso à saúde do ex-presidente Barack Obama, mais conhecida por Obamacare.

Se for aprovada pelo Senado, a nova lei, a que já chamaram Trumpcare, tornará mais difícil e caro o acesso à saúde. Durante a discussão sobre os efeitos desta legislação, uma mulher disse que aceitar as condições do Medicaid seria o mesmo do que aceitar morrer. E foi essa insinuação que levou Labrador a responder: "Essa argumentação é indefensável. Ninguém morre por não ter acesso a cuidados de saúde." As vaias, obviamente, não se fizeram esperar.

Depois disso, a página de Facebook do congressista foi invadida por cidadãos revoltados, muitos deles relatando histórias de familiares ou amigos que, efetivamente, morreram por não terem dinheiro para custear os tratamentos e intervenções médica que precisavam. Um comentário lança o desafio: "Experimente viver sem o seguro de saúde pago pelo Governo (na verdade pago pelo povo americanos) e vamos correr o risco de ver se vive ou morre".

Entre outras mudanças, a proposta aprovada esta quinta-feira permite às seguradoras cobrarem cinco vezes mais às pessoas entre 50 e 65 anos do que aos jovens (atualmente o limite é o triplo), corta os benefícios fiscais à adesão dos mais pobres, levando a um aumento de 759% nos prémios de seguro aos idosos com baixos rendimentos, que têm agora esse valor indexado ao rendimento que auferem. Por outro lado, a proposta introduz uma série de "condições pré-existentes" de saúde que permitem às seguradoras aumentar os valores a pagar pelos cidadãos. No entanto, espera-se que a lei, nos seus moldes atuais, seja barrada pelo Senado.

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