Nicolai, o Perigoso, tem 11 anos e prepara-se para ser presidente

É filho de uma relação extraconjugal do atual dirigente da Bielorrússia, Alexander Lukachenko, que o considera "especial". Parece gostar de armas e está a tomar ares de ditador.

Esteve presente na Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova Iorque, assistiu na Praça Tiananmen às comemorações do fim da II Guerra Mundial na Ásia, quase ao lado do presidente Xi Jinping. Foi cumprimentado por Barack Obama e cumprimentou Bento XVI, recebeu prendas do ex-presidente russo Dmitri Medvedev e do venezuelano Hugo Chávez; em geral, acompanha o pai na maioria das viagens e aparece a seu lado nas fotos oficiais das cimeiras em que aquele participa.

É filho de uma ligação extraconjugal do presidente da Bielorrússia, Alexander Lukachenko. Tem 11 anos. Chama-se Nicolai e, apesar de ser o filho mais novo de Lukachenko, que dirige a Bielorrússia com mão de ferro desde 1994, especula-se que venha a suceder ao pai, embora o presidente tenha dito que não numa entrevista à BBC e ao Independent em 2012.

"Juro que nunca pensei nisso. É um disparate absoluto!", declarou Lukachenko, notando ser necessário uma pessoa ter 35 anos para "se apresentar a voto e ser eleito". Significava isto, segundo aquele que é considerado o "último ditador da Europa", que ele teria de permanecer no poder mais 30 anos. Para já, preocupou-se ontem em ser reeleito para um quinto mandato consecutivo numas presidenciais em que enfrentou três candidatos sem quaisquer hipóteses de vitória.

A justificação para a presença quase constante de Kolya, nome por que é conhecido Nicolai, é simples, diz Lukachenko: o filho é tão próximo dele que não consegue adormecer sem ver o pai e faz "uma birra" sempre que viaja sem o levar consigo. O que é certo é que numa visita em 2011 à Venezuela disse em resposta à saudação efusiva de Hugo Chávez que "daqui a 20 ou 25 anos estará aqui alguém para continuar a nossa cooperação". Ao lado estava Nikolai e num momento anterior Chávez realçara o facto.

Não é somente nas viagens ao estrangeiro que Nikolai nunca deixa o lado do pai. Na Bielorrússia já terá participado em Conselhos de Ministros e é presença frequente em cerimónias oficiais e outros atos públicos: participou, por exemplo, num desfile de motards na capital, Minsk, em 2009, e, vestido com uniforme militar e com ar concentrado, tem sido visto a observar manobras militares. O tema parece não deixar indiferente o jovem Kolya, que, com apenas 5 anos, quando Dmitri Medvedev lhe ofereceu uma pistola revestida a ouro e depois de o pai lhe ter dito que não é todos os dias que se recebe um presente daqueles e logo de um líder russo, retorquiu: "Mas não está carregada." Afinal, fora o pai a referir-se a Nikolai, quando este tinha 3 anos, como alguém "especial".

Segundo o The Guardian, as chefias militares estão obrigadas a fazer continência a Kolya, que enverga sempre uniforme quando visita unidades ou acompanha manobras. Outras histórias sugerem que a criança está a tomar ares de ditador, há imagens dele com um coldre à cintura, ameaçando mandar fuzilar quem o contraria. Terá chegado a morder uma assistente de bordo das linhas aéreas nacionais quando esta lhe disse que não podia ser ele a fechar a porta do avião em que ia viajar. Alguns, escrevia no início do mês o El Mundo, já lhe atribuíram cognome: o Perigoso. O diário espanhol acrescenta que, como parte da sua preparação, estão banhos gelados.

Embora oficialmente só se conheça o ano de nascimento de Kolya - 2004 -, é largamente admitido ser filho da antiga médica pessoal de Lukachenko, Irina Abelskaya, com quem o presidente manteve uma relação durante algum tempo.

Lukachenko tem outros dois filhos, Viktor e Dmitri, nascidos em 1975 e 1980, de Galina Zhelnerovich. O casal está separado há mais de duas décadas. Entre Viktor e Dmitri, o primeiro é que se tem destacado em posições públicas. Ocupa hoje o cargo de assessor presidencial para questões de segurança.

Visto em público pela primeira vez aos 3 anos, quando o pai o levou a participar num jogo de hóquei no gelo (de que Lukachenko é fã e praticante), a educação de Kolya é feita em privado no palácio presidencial, talvez porque as suas deslocações à escola oficial decorriam num ambiente de grande aparato, escoltado por todo um contingente de forças de segurança.

Há uma pessoa com a qual não há grande hipótese de Kolya, ou o pai, serem fotografados: a Nobel da Literatura deste ano, Svetlana Alexievich, que declarou, ao tomar conhecimento da distinção, ter enorme respeito pela Rússia da cultura e da ciência, mas nenhum pelo "mundo russo de Estaline e de Putin". Ora, o que é Lukachenko senão um herdeiro dos métodos do segundo e um discípulo aplicado do primeiro? Quanto à questão da sucessão: não é verdade que os ditadores tendem a perpetuar a família no poder?

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