NATO pede que Rússia liberte navios e marinheiros ucranianos

O secretário-geral da NATO, Jens Stoltenberg instou Moscovo a libertar os navios apresados e os marinheiros ucranianos detidos no domingo perto da Crimeia. Os EUA falam de "escandalosa violação de soberania" da Ucrânia. Moscovo culpa Kiev.

"Vimos que a Rússia usou a força militar contra a Ucrânia de maneira aberta e direta", disse Jens Stoltenberg em conferência de imprensa no final de uma reunião de emergência da aliança militar ocidental realizada a pedido da Ucrânia, que não é membro da NATO.

"Todos os aliados expressaram total apoio à integridade e soberania territorial da Ucrânia", acrescentou. "Não há justificação para o uso de força militar contra os navios ucranianos e contra os marinheiros, por isso pedimos à Rússia que liberte imediatamente os marinheiros e os navios ucranianos apreendidos ontem."

O dirigente norueguês disse que a Rússia também deve permitir que todas as embarcações comerciais tenham acesso total aos portos ucranianos.

Stoltenberg lembrou as sanções económicas impostas pelo Ocidente à Rússia por causa da anexação em 2014 da península da Crimeia à Ucrânia e o apoio aos rebeldes separatistas no leste da Ucrânia. "Estamos a acompanhar e a monitorizar a situação de perto e estamos constantemente a avaliar o que mais podemos fazer porque a Rússia precisa de entender que as ações têm consequências."

"Isto está a provocar uma escalada do conflito na região e confirma um padrão de comportamento que temos visto há vários anos", acrescentou.

A Ucrânia acusou a Rússia de agressão militar e colocou as forças armadas em alerta total de combate na sequência de as forças navais russas terem disparado contra os três navios ucranianos e detido 24 tripulantes no estreito de Kerch, que liga o mar Negro ao mar de Azov.

Kiev pediu aos aliados ocidentais para reforçarem as sanções contra Moscovo.

Em Nova Iorque, a embaixadora dos EUA na ONU, Nikki Haley, também pediu à Rússia que "liberte" os navios ucranianos e as suas tripulações, juntando-se ao apelo já feito hoje pelo presidente ucraniano.

Haley considerou a captura de navios ucranianos "ilegal", o que torna "impossível" uma "relação normal" com Moscovo.

"Como o presidente do meu país disse muitas vezes, os Estados Unidos são a favor de um relacionamento normal com a Rússia, mas ações ilegais como esta tornam isso impossível", disse a diplomata norte-americana, numa reunião de emergência do Conselho de Segurança da ONU solicitada pela Ucrânia.

Por sua vez, o vice-embaixador russo Dimitri Polanski protestou contra aqueles que alimentam o comportamento "antirrusso". "Vocês alimentam ódios" contra a Rússia, disse o diplomata, tendo alegado "a violação" de regras internacionais por parte dos navios ucranianos no estreito de Kerch.

No domingo, a Rússia "apenas procurou garantir a segurança daquela passagem", concluiu o russo.

A Rússia admitiu ter aberto fogo na tarde de domingo contra os navios ucranianos que, na sua versão, estariam nas suas águas territoriais, perto da Crimeia, para forçá-los a parar. A Ucrânia afirma que o ataque ocorreu em águas neutras, depois de Moscovo decidir fechar o estreito de Kerch, para impedir o acesso de navios ucranianos no mar de Azov.

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