Narcotráfico leva México a recorde de mortes em 2017

Crime organizado foi responsável por mais de 25 mil vítimas em 2017. Mas o país não é o mais violento no mundo, como diz Trump.

O ano que terminou foi o mais mortífero no México desde que se iniciou há duas décadas a elaboração de estatísticas do número de vítimas resultantes da violência ligada ao tráfico de droga. Entre janeiro e dezembro de 2017 sucederam 25 339 homicídios, com uma média de 70 assassínios por dia, ou 20,5 por cada cem mil mexicanos, indicam números oficiais agora divulgados.

As autoridades mexicanas recusam, todavia, o rótulo de país mais violento no mundo, como referiu recentemente o presidente Donald Trump, fazendo notar que outros Estados na região como o Brasil, Colômbia, Venezuela, Honduras e El Salvador apresentam médias mais elevadas. Assim, segundo dados do Banco Mundial para 2017, El Salvador registou 60,8 homicídios por cem mil habitantes, a Venezuela 57 por cem mil residentes e o Brasil e Colômbia 27 mortos por cem mil habitantes.

Um especialista em segurança, Alejandro Hope, ouvido pela Univision, afirma que a média real no México deve estar próxima da do Brasil e Colômbia. Isto porque os valores da taxa de assassínios por cem mil habitantes são elaborados com base no número de investigações de homicídios e não no número de vítimas, havendo crimes que provocam mais de um morto.

Até 2017, o ano mais violento fora 2011, quando se registaram 22 409 mortos.

No ano transato, os estados mais violentos no México foram os de Guerrero, Baixa Califórnia, Estado de México, Veracruz e Chihuahua, onde ocorreram, respetivamente, 2318, 2092, 2041, 1641 e 1578 mortos. Destes estados, Guerrero foi colocado na lista das regiões para as quais o Departamento de Estado americano aconselha não viajar de todo, recomendação que estende a Tamaulipas, Sinaloa, Colima e Michoacan.

Há mais de uma década que as autoridades mexicanas declararam guerra aberta aos grupos do narcotráfico durante a presidência de Felipe Calderón, em 2006. Apesar de inúmeros sucessos, os cartéis estão longe de terem sido desarticulados. O declínio de um cartel tem, em regra, originado uma luta violenta pelo controlo do seu território, a fragmentação em vários grupos ou o aparecimento de novos cartéis. Há mais de 130 cartéis ativos no México. A maior parte das vítimas resulta exatamente das lutas entre cartéis, em especial os de Juárez e Sinaloa, este último dirigido até à sua extradição para os Estados Unidos de Joaquín Guzmán, El Chapo, em janeiro de 2017.

O cartel de El Chapo, única pessoa que conseguiu evadir-se duas vezes de uma prisão de segurança máxima no México, continua a ser considerado como o mais importante, exportando por ano milhões de toneladas de cocaína para a Europa e Estados Unidos (maior consumidor mundial), além de outro tipo de estupefacientes. No momento da sua detenção, Guzmán era considerado uma das pessoas mais ricas do mundo.

Desde há alguns anos, os cartéis começaram também a praticar raptos, extorsão, tráfico de pessoas e outras atividades ilegais.

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