"Não consigo respirar": as últimas palavras de Khashoggi

A CNN cita uma fonte próxima da investigação, que terá lido uma transcrição do registo áudio do momento da morte do jornalista saudita.

"Não consigo respirar." Terão sido estas as últimas palavras do jornalista saudita Jamal Khashoggi, que foi morto no interior do consulado do seu país em Istambul, na Turquia. A informação é avançada pela CNN, que cita uma fonte próxima da investigação, que terá lido a transcrição do registo áudio do momento da morte do crítico do regime saudita.

A mesma fonte disse à CNN que é claro que a morte de Khashoggi "não foi uma tentativa falhada" de o apanhar - uma das versões dos sauditas a explicar a sua morte é que foi acidentalmente estrangulado -, mas a execução de um plano para assassinar o jornalista". Diz ainda que ele lutou contra um grupo de pessoas determinadas em matá-lo.

Khashoggi terá repetido três vezes as palavras "não consigo respirar". A transcrição do áudio terá sido preparada pelos serviços de informação turcos, que nunca explicaram como tiveram acesso à gravação.

Segundo a fonte, a transcrição inclui depois as palavras "grito", "grito", "arquejo". E finalmente as palavras "serra" e "cortar". Depois, uma voz identificada como sendo a de Salah Muhammad al-Tubaiqui, responsável pelo gabinete de medicina forense do Ministério do Interior saudita, a recomendar a quem está na sala que ponha os "auriculares nos ouvidos ou oiçam música como eu".

Segundo a CNN não é claro em que momento é que Khashoggi morre.

Maher Abdulaziz Mutreb, um ex-diplomata que conhecia Khashoggi do tempo em que este trabalhou na embaixada saudita em Londres, faz pelo menos três telefonemas. Num deles diz: "A coisa está feita, está feita".

Khashoggi foi morto a 2 de outubro quando foi ao consulado buscar uns papéis que confirmavam que era divorciado, já que planeava casar com a namorada turca. Crítico do regime saudita, em especial do príncipe herdeiro Mohammed Bin Salman, o jornalista tinha optado por viver nos EUA e escrevia para o The Washington Post.

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