Mulheres procuram trabalho e recebem ofertas ofensivas

São muitas as mulheres que simplesmente procuram emprego através da internet e recebem ofertas de trabalho que não solicitaram, a maioria de cariz sexual

Não é caso isolado e afeta, sobretudo, as mulheres. E são muitas as que recebem ofertas ofensivas, a maioria de cariz sexual, quando publicam anúncios de procura de emprego na internet ou colocam o currículo online.

É isso mesmo que relata uma jovem ao El Mundo. Surge identificada como Alexandra e já perdeu a conta ao número de vezes que recebeu propostas indecentes, relacionadas com prostituição ou simplesmente ofertas sem sentido.

Está, simplesmente, à procura de emprego como jornalista, mas muitos homens encaram a oferta de trabalho desta espanhola como uma oportunidade para apresentar outro tipo de propostas.

A jovem admite cansaço por se sentir ofendida demasiadas vezes nesta busca por trabalho, mas decidiu expor nas redes sociais as mensagens de cariz sexual que recebe. E não são poucas.

Numa das situações, conta que respondeu a um anuncio de emprego para ser secretária de direção. Não era um trabalho na área que procurava, mas pareceu-lhe uma boa oportunidade.

"Respondi e pedi-lhes informações sobre as condições", recordou ao El Mundo. Tal não é o seu espanto quando chegou a resposta da empresa. Pediam o currículo e "fotos recentes de corpo inteiro para avaliar a aparência física".

Alexandra não quis dar continuidade ao caso, mas um responsável da empresa voltou a contactá-la. Pede desculpa por "gerar desconfiança" e explica que o diretor está fora do país e que é por ele que quer conhecê-la. "(...) Conversar e ver o seu corpo numa entrevista por Skipe, ou algo semelhante, para comprovar que tem o perfil e cumpre todos os requisitos", lê-se.

E o perfil, recorda a empresa, é para "uma secretária de direção / assistente pessoal, muito liberal, versátil e polivalente ". O salário oferecido é de 3.200 euros por causa das "particularidades do cargo". A oferta incluía ainda incentivos por "envolvimento pessoal com o diretor (relações esporádicas)" .

Alexandra voltou a ignorar, mas decidiu tornar a situação pública. "É insuportável receber mensagens assim todas as semanas", confessa ao diário espanhol.

A jovem licenciada em Jornalismo também denuncia os casos às autoridades. "A polícia porta-se muito bem. Dei todos os números de telefone das mensagens de particulares que recebo e são investigados. Aliás, de vez em quando, a polícia entra em contacto comigo para perguntar se voltou a acontecer".

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