Mulheres não entram... para evitar agressões sexuais

Clube seleto da universidade de Harvard justifica discriminação. Já há uma demissão

O presidente do clube Porcellian, república exclusivamente masculina da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, viu-se obrigado a pedir a demissão depois das declarações controversas que fez para justificar o facto de as mulheres não serem aceites na organização. "Obrigar organizações para membros de um só sexo a aceitarem membros do sexo oposto pode potencialmente aumentar, e não diminuir, o risco de agressões sexuais", afirmou Charles Storey, em resposta aos esforços da reitoria para tornar este tipo de organizações mistas.

Foi uma das raras vezes em que um elemento do seleto clube veio a público e, conclui-se, mais valia não o ter feito e ter-se remetido ao habitual silêncio.

As reações a este comentário não se fizeram esperar, com críticas a chegar de todos os lados, incluindo de políticos locais. Por isso, poucas horas depois das declarações, feitas a 13 de abril no jornal da Universidade, o The Harvard Crimson, Charles Storey, veio desculpar-se.

"Infelizmente, escolhi mal as palavras e saiu tudo errado. Esta falha levou a interpretações infelizes e extremas, que não eram de todo a minha intenção. Levo o assunto das agressões sexuais muito a sério e peço muita desculpa a quem ofendi", escreveu.

No entanto, o pedido de desculpas não foi suficiente e Charles Storey acabou por ter de pedir a demissão. "Pura e simplesmente o que eu disse foi errado. Sem desculpas. Quero deixar claro que estou a pedir desculpas pelo que disse, não apenas a quem ofendi com as minhas palavras", disse num novo comunicado, em que admitiu estar desapontado consigo próprio.

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