Mueller contesta artigo segundo o qual Trump disse ao ex-advogado para mentir

Em causa está uma investigação do site BuzzFeed News segundo a qual teria sido o próprio presidente a dizer a Michael Cohen para mentir ao Congresso acerca do fim das negociações para a construção de uma Trump Tower em Moscovo

Num raro comunicado à comunicação social, o procurador especial dos Estados Unidos Robert Mueller considerou "incorreta" a história avançada pelo BuzzFeed News, segundo a qual teria sido o próprio Donald Trump a dizer ao seu ex-advogado Michael Cohen, condenado no mês passado a três anos de prisão, para mentir ao Congresso, afirmam os media americanos neste sábado.

O BuzzFeed News, por sua vez, também emitiu um comunicado reagindo às declarações do procurador especial, cujas declarações sobre investigações em curso são inusitadas, dizendo manter a confiança no trabalho publicado e garantindo que continuam a investigar. O chefe de redação Ben Smith exortou num tuíte o procurador especial a clarificar o que diz ser "incorreto" na vasta reportagem do BuzzFeed.

O próprio presidente dos Estados Unidos também reagiu ao caso no Twitter, escrevendo: "Um dia triste para o jornalismo, mas um grande dia para o nosso país." Trump apontava ainda o dedo ao BuzzFeed por este ter publicado o dossier explosivo sobre Trump compilado pelo ex-espião britânico Christopher Steele "pago pela corrupta Hillary Clinton e pelos democratas"

Depois da publicação do artigo na quinta-feira, vários membros democratas do Congresso começaram a apontar o caso como uma possível justificação para um impeachment a Donald Trump.

Segundo o artigo, Michael Cohen terá dito aos investigadores do procurador especial que foi o próprio presidente dos Estados Unidos quem, depois de ter sido eleito, lhe terá dito para mentir ao Congresso acerca do final das negociações para a construção de uma Trump Tower em Moscovo, alegando que "estas haviam terminado meses antes do que realmente terminaram para ocultar o envolvimento de Trump".

As fontes do BuzzFeed dizem que o gabinete do procurador especial tinha emails, mensagens e outros documentos da empresa de Trump que corroboram a alegada ordem de Trump a Cohen, embora os jornalistas Jason Leopold e Anthony Cormier não tenham especificado se tiveram ou não acesso a esses documentos.

O atual advogado de Trump, Rudy Giuliani, também criticou o artigo do BuzzFeed e congratulou-se pela declaração de Robert Mueller, pedindo à imprensa que "o seu desejo histérico para destruir este Presidente foi longe de mais. Foram atrás disto todo o dia sem análise."

Ler mais

Exclusivos

Premium

Henrique Burnay

A ameaça dos campeões europeus

No dia 6 de fevereiro, Margrethe Vestager, numa só decisão, fez várias coisas importantes para o futuro da Europa, mas (quase) só os jornais económicos repararam. A comissária europeia para a Concorrência, ao impedir a compra da Alstom pela Siemens, mostrou que, onde a Comissão manda, manda mais do que os Estados membros, mesmo os grandes; e, por isso mesmo, fez a Alemanha e a França dizerem que querem rever as regras do jogo; relançou o debate sobre se a Europa precisa, ou não (e em que condições), de campeões para competir na economia global; e arrasou com as suas possibilidades (se é que existiam) de vir a suceder a Jean-Claude Juncker.

Premium

Anselmo Borges

Islamofobia e cristianofobia

1. Não há dúvida de que a visita do Papa Francisco aos Emirados Árabes Unidos de 3 a 5 deste mês constituiu uma visita para a história, como aqui procurei mostrar na semana passada. O próprio Francisco caracterizou a sua viagem como "uma nova página no diálogo entre cristianismo e islão". É preciso ler e estudar o "Documento sobre a fraternidade humana", então assinado por ele e pelo grande imã de Al-Azhar. Também foi a primeira vez que um Papa celebrou missa para 150 mil cristãos na Península Arábica, berço do islão, num espaço público.

Premium

Adriano Moreira

Uma ameaça à cidadania

A conquista ocidental, que com ela procurou ocidentalizar o mundo em que agora crescem os emergentes que parecem desenhar-lhe o outono, do modelo democrático-liberal, no qual a cidadania implica o dever de votar, escolhendo entre propostas claras a que lhe parece mais adequada para servir o interesse comum, nacional e internacional, tem sofrido fragilidades que vão para além da reforma do sistema porque vão no sentido de o substituir. Não há muitas décadas, a última foi a da lembrança que deixou rasto na Segunda Guerra Mundial, pelo que a ameaça regressa a várias latitudes.