Moscovo diz que WikiLeaks revelou a capacidade de dissimulação da CIA

Ministro dos Negócios Estrangeiros russo insinuou ainda que a CIA pode estar a tentar incriminar a Rússia pelos ataques informáticos nos EUA

O chefe da diplomacia russa disse hoje que as recentes revelações do portal WikiLeaks mostraram que os serviços secretos americanos (CIA) conseguem alegadamente imitar os indícios digitais geralmente associados a piratas informáticos de outros países.

Durante uma conferência de imprensa com o seu homólogo alemão, Sigmar Gabriel, o ministro dos Negócios Estrangeiros russo, Serguei Lavrov, afirmou hoje que embora a Rússia tenha sido acusada de deixar as suas "impressões digitais" em ataques informáticos ocorridos nos Estados Unidos, os documentos revelados esta semana pelo portal WikiLeaks mostraram que "a CIA (Central Intelligence Agency) poderia ter acesso a tais 'impressões digitais' e depois usá-las".

As agências de inteligência norte-americanas acusaram Moscovo de estar por trás de ataques informáticos à campanha presidencial da democrata Hillary Clinton para ajudar Donald Trump, o candidato do Partido Republicano, a vencer as eleições de novembro passado.

O chefe da diplomacia russa voltou a negar o envolvimento da Rússia em qualquer ataque informático.

Ainda a comentar as recentes revelações do WikiLeaks, portal fundado por Julian Assange, Serguei Lavrov acrescentou que a Rússia precisa ter em consideração as capacidades de dissimulação da CIA.

E revelou um dado curioso: quando está a conduzir conversações sobre dossiês "sensíveis", prefere não levar o seu telemóvel.

"Pessoalmente, tento não levá-lo [ao telemóvel] quando estou em negociações relacionadas com temas sensíveis", disse Lavrov, na mesma conferência de imprensa.

Nos últimos anos, Lavrov tem estado envolvido nas negociações de dossiês internacionais bastante complicados, como é o caso da guerra na Síria, do conflito ucraniano ou do programa nuclear iraniano.

"E, por agora, parece que tal decisão permitiu-me não estar numa situação desagradável", acrescentou.

"Os piratas da CIA podem entrar em 'smartphones' (telemóveis de última geração), em televisores, mas também -- como ouvi -- em frigoríficos, de forma a criar problemas nas redes elétricas", ironizou o ministro, segundo as agências internacionais.

De acordo com os cerca de 9.000 documentos publicados esta semana pelo portal Wikileaks, a CIA é capaz de realizar, através de ferramentas informáticas, escutas em praticamente qualquer aparelho eletrónico, sejam telemóveis de última geração, computadores ou televisores que estejam ligados à Internet.

A CIA acusou entretanto o portal WikiLeaks de ajudar os inimigos dos Estados Unidos ao revelar os seus métodos.

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