Moscovo começa pelos EUA a sua vaga de expulsões

60 diplomatas norte-americanos têm de abandonar a Rússia até dia 5. Guterres fala em situação semelhante à vivida na Guerra Fria

A Rússia ordenou ontem a expulsão de 60 diplomatas norte-americanos, que terão de abandonar o país até 5 de abril, mas também o encerramento do consulado dos EUA em São Petersburgo, naquela que é a primeira resposta de Moscovo à onda de expulsões levada à cabo por dezenas de países do Ocidente em solidariedade com o Reino Unido por causa do envenenamento do ex-espião Sergei Skripal.

O Ministério dos Negócios Estrangeiros russo disse ter declarado personae non gratae 58 diplomatas em Moscovo e dois funcionários do consulado em Yekaterimburgo, num total de 60, o mesmo número de diplomatas que os EUA, que também ordenaram o fecho da representação russa em Seattle, tinham expulso. Há duas semanas, Londres já tinha expulso 23 diplomatas russos e Moscovo respondido entretanto na mesma moeda.

Momentos antes deste anúncio, o líder da diplomacia russa, Sergei Lavrov, havia mais uma vez garantido que a Rússia iria responder proporcionalmente à expulsão em massa de representantes russos, a maior da história. No total, e contando com o Reino Unido, 153 diplomatas russos já foram expulsos de 29 países (19 deles da UE) e da NATO, enquanto seis outros (incluindo Portugal) optaram por chamar os seus embaixadores em Moscovo para consultas.

O secretário-geral da ONU avisou ontem que as relações entre Estados Unidos e Rússia estão a deteriorar-se para uma situação "similar", em grande medida, à vivida durante a Guerra Fria e apelou para que fossem criadas salvaguardas. "Na Guerra Fria foram criados mecanismos de comunicação e controlo para evitar uma escalada de incidentes, de forma a garantir que as coisas não ficassem fora de controlo quando as tensões aumentavam", declarou António Guterres. "Acredito que mecanismos desse género são necessários outra vez".

Sergei Skripal e a sua filha Yulia foram envenenados com uma neurotoxina que foi deixada na porta de sua casa em Inglaterra, anunciou ontem a polícia de contraterrorismo britânica. Este que é o primeiro ataque com armas químicas em solo europeu desde a Segunda Guerra Mundial, tendo o Reino Unido culpado a Rússia pela tentativa de assassinato, o que Moscovo nega.

"Os peritos determinaram que a mais elevada concentração do agente neurotóxico estava na porta de entrada da residência", informou a polícia em comunicado. "Nesta fase da investigação, acreditamos que os Skripal tiveram o primeiro contacto com o agente neurotóxico pela porta de entrada", diz o texto.

O ex-espião russo, de 66 anos, e a filha, de 33, estão internados desde 4 de março, quando foram encontrados inconscientes num banco num centro comercial em Salisbury, sul de Inglaterra. Yulia já não está em estado crítico, anunciou ontem o Hospital Distrital de Salisbury. Sergei continua em estado crítico.

A diplomacia russa afirmou ontem ainda que Londres está a violar as leis internacionais ao recusar dar informações sobre Yulia. Maria Zakharova, a porta-voz do ministério, disse que Londres recusou-se a cooperar com a Rússia na investigação e não tinha fornecido nenhuma atualização sobre a filha do ex-espião, apesar de ela ser russa.

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