Morte do presidente do Uzbequistão faz mergulhar país na incerteza política

Governo uzbeque não confirma morte do ditador Islam Karimov, que foi anunciada pelo primeiro-ministro da Turquia

A morte do presidente do Uzbequistão, Islam Karimov, de 78 anos, não foi confirmada oficialmente pelo governo uzbeque, mas o primeiro-ministro turco, Binali Yildirim, terminou com a especulação ao anunciar, num conselho de ministros transmitido na televisão, a morte de Karimov: "Que Deus tenha piedade dele", disse o governante.

O executivo uzbeque, porém, não deu qualquer informação adicional: segundo o The Guardian, além de um comunicado emitido já esta sexta-feira - em que confirmava que o estado de saúde do presidente se agravara - limitou-se a passar música fúnebre nos canais estatais. No entanto, a agência Reuters confirmou, junto de fontes diplomáticas, a morte do ditador, que estava no poder há 27 anos e terá sofrido, no domingo passado, uma hemorragia cerebral.

Karimov, homem forte da era soviética que liderava o país mais populoso da Ásia central com mão de ferro, morreu sem deixar um sucessor, fazendo mergulhar o Uzbequistão, com 31 milhões de habitantes, na incerteza em relação ao futuro político. O candidato mais provável a assumir o lugar de Karimov na presidência será o primeiro-ministro de há longos anos, Shavkat Mirziyoyev. Não é provável que haja mudanças no regime ditatorial com a troca do líder e, além de Mirziyoyev, que parece recolher o apoio do chefe dos serviços secretos, Rustam Inoyatov, perfila-se apenas mais um candidato à presidência, o ministro das Finanças e vice-primeiro-ministro Rustam Azimov.

Não é claro como será escolhido o próximo líder uzbeque, mas o atual primeiro-ministro estará já, segundo a imprensa internacional, a caminho de Samarcanda, terra natal de Karimov e onde deverá ser sepultado o líder falecido, perfilando-se assim como sucessor natural. A imprensa uzbeque deu conta de grande alvoroço no cemitério de Samarcanda, que estará a preparar-se para receber no próximo sábado as cerimónias fúnebres do ditador.

A filha mais velha do presidente Karimov, Gulnara, outrora vista como potencial sucessora, caiu em desgraça depois de criticar publicamente membros da família e responsáveis políticos. Gulnara foi colocada em prisão domiciliária em 2014, depois de ter acusado a mãe e a irmã mais nova de bruxaria, comparado o pai a Estaline e acusado o poderoso chefe dos serviços de segurança, Inoyatov, de corrupção.

Islam Karimov foi criado num orfanato na antiga cidade de Samarcanda. Estudou engenharia mecânica, aderiu ao Partido Comunista e, em 1989, quando era ministro das Finanças, foi promovido ao cargo de primeiro secretário do partido no Uzbesquistão, ascendendo à liderança do país.

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