Morte do 'Elon Musk' russo na prisão motiva inquérito para esclarecer causas

Médicos legistas descobriram, em fevereiro, "sinais de queimaduras elétricas, fraturas e esperma no corpo de Pchenitchnyi", segundo a sua advogada

Um inquérito foi aberto para apurar as circunstâncias do alegado suicídio na prisão de um empresário alcunhado pela imprensa como o "Elon Musk russo", que o seu advogado suspeita de ter sido torturado e morto.

"Há razões para acreditar que não se trata de um suicídio", declarou à agência AFP Larissa von Arev, a advogada do empresário e informático Valeri Pchenitchnyi, com boa imagem na comunicação social pelas suas ideias ambiciosas e inovadoras, à semelhança das do mediático multimilionário norte-americano.

Com 56 anos no momento da sua morte, Valeri Pchenitchnyi tinha sido detido em janeiro e acusado de desvio de fundos em grande escala no quadro de um contrato com o Ministério da Defesa russo.

A sua empresa, NovIT PRO, tinha sido encarregada de elaborar um modelo virtual em três dimensões de um submarino que deveria servir aos engenheiros encarregados dos trabalhos de reparação.

Em 5 de fevereiro, três semanas depois da sua detenção, foi encontrado enforcado na sua cela na prisão em São Petersburgo, no noroeste russo.

Os médicos legistas descobriram então "sinais de queimaduras elétricas, fraturas e esperma no corpo de Pchenitchnyi", segundo a sua advogada.

"Mesmo antes da sua morte, a sua viúva, Natália, recebeu notas do seu marido a pedir-lhe, de forma insistente, que 'não pagasse nada a ninguém' e onde insistia na sua inocência", revelou.

Segundo a comunicação social e organizações não-governamentais, é frequente na Federação Russa que detidos com poder nas prisões ou membros da administração penitenciária procurem extorquir, sob ameaça, dinheiro às famílias dos detidos mais vulneráveis.

O serviço penitenciário russo indicou, em comunicado, ter aberto um inquérito para procurar esclarecer as circunstâncias da morte do empresário.

Em 2016, Pchenitchnyi tinha acusado o diretor da sua empresa de desvio de fundos. Detido e colocado em detenção provisória durante vários meses, este último acabou por ser finalmente libertado, antes de acusar, por sua vez, o empresário de ter sobre orçamentado o montante da encomenda do Ministério da Defesa.

"Esta histórica trágica testemunha o facto que os nossos direitos à vida e à saúde não estão garantidos na prisão", acusou Larissa von Arev.

Os defensores dos direitos do homem denunciam, com frequência, as torturas, as humilhações e as agressões nas prisões russas.

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