Morte de ecologista numa prisão no Irão gera polémica

Professor universitário Kavous Seyed-Emami foi detido por suspeitas de espionagem

A morte do professor universitário Kavous Seyed-Emami, detido em janeiro último no Irão por suspeitas de espionagem, está a gerar polémica uma vez que as circunstâncias do caso continuam pouco claras, nomeadamente para os familiares do reconhecido ecologista.

As autoridades judiciais iranianas informaram no fim de semana que Kavous Seyed-Emami, de origem iraniana mas de nacionalidade canadiana, se tinha suicidado na prisão de Evin na capital iraniana, Teerão, informação que está a ser questionada por alguns amigos, colegas e familiares do professor universitário.

O porta-voz do poder judicial iraniano, Gholamhosein Mohseni Ejei, disse hoje, em declarações à agência noticiosa semi-estatal ILNA, que as circunstâncias do "suicídio" de Kavous Seyed-Emami, de 63 anos, estão a ser investigadas.

O representante precisou que o reconhecido ecologista integrava "um grupo acusado de fornecer informações de centros estratégicos a serviços de inteligência estrangeiros, incluindo ao regime sionista (Israel) e aos Estados Unidos".

"Foram detidos nos últimos dias e alguns permanecem detidos", acrescentou o porta-voz, numa referência aos vários membros da Fundação para a Vida Selvagem Persa que foram colocados na prisão. O representante não precisou quantos elementos estão detidos, informação que até ao momento é desconhecida.

O presidente do Tribunal Revolucionário de Teerão, Musa Ghazanfarabadí, referiu igualmente que estas pessoas "reuniam informações classificadas do país em áreas estratégicas durante os respetivos projetos científicos e ambientais".

A Universidade Iman Sadeq de Teerão, da qual Kavous Seyed-Emami fez parte do corpo docente, pediu hoje explicações às autoridades judiciais e de segurança iranianas.

"A notícia do suicídio deste antigo colega causou-nos uma grande dor e pedimos às autoridades judiciais e de segurança mais precisão neste caso", afirmou a universidade, num comunicado.

A instituição também lamentou a detenção dos membros da Fundação para a Vida Selvagem Persa.

O filho de Kavous Seyed-Emami também afirmou através das redes sociais que não acredita na versão oficial.

A notícia da morte do meu pai é impossível de entender

Por sua vez, o vice-presidente do comité judicial do parlamento, Mohamad Kazemi, defendeu, também em declarações à agência ILNA, que o poder judicial "deve responder sobre este caso".

"O que é claro é que, segundo a lei, a proteção dos prisioneiros é responsabilidade das autoridades da prisão e estas devem esclarecer o motivo do suicídio", referiu Mohamad Kazemi.

No último mês, foram registados nas prisões iranianas outros dois alegados casos de suicídio. As duas pessoas em questão tinham sido detidas durante protestos antigovernamentais em finais de dezembro e início de janeiro.

Kavous Seyed-Emami é o segundo iraniano-canadiano a morrer numa prisão no Irão, depois da morte em 2003 da fotógrafa Zahra Kazemí.

O Canadá e o Irão não mantêm relações diplomáticas desde 2012.

Dezenas de iranianos com dupla nacionalidade - não reconhecida pelas autoridades de Teerão - estão detidos no Irão, a maioria sob acusação de espionagem.

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