Mònica desapareceu há 10 meses. O ex-namorado enterrou-a no jardim de casa

Mònica Borràs Villaró foi dada como desaparecida há dez meses pelo ex-companheiro. O corpo da mulher de 49 anos estava enterrado no jardim da casa onde vivia.

Em agosto de 2018 Jaume Badiella dirigiu-se a uma esquadra de Terrassa (Barcelona) para dar conta à polícia do desaparecimento da ex-companheira, que saíra de casa no dia anterior, depois de uma discussão, e não voltara a aparecer. Mònica Borrás Villaró deixou em casa a carteira, o telemóvel, as chaves do carro. O homem, de 54 anos, contou que tinham chegado de uns dias de campismo, discutiram, e ela saiu de casa, reação que atribuiu a um transtorno de personalidade da mulher, que estava diagnosticado e pelo qual tomava medicação. Na altura do desaparecimento já não mantinham uma relação sentimental, mas continuavam a viver na mesma casa.

Durante dez meses Jaume Badiella manteve a história, que repetiu numa entrevista a uma cadeia televisiva, numa altura em que os Mossos d'Esquadra (a polícia da Catalunha) tinham já divulgado fotografias de Mònica, com um apelo público a quem a visse para que informasse as autoridades. De acordo com o jornal espanhol La Vanguardia, o homem manteve a mesma postura enquanto a polícia investigava a casa onde ambos moravam, durante esta quarta-feira. Até ao momento em que, com a ajuda de um geofísico equipado com um georradar, a polícia começou a revirar a arrecadação e descobriu um cadáver enterrado, num local coberto por mesas, caixas e objetos velhos. Perante a descoberta, e de acordo com o relato do jornal, Badiella começou a chorar e confessou ter assassinado a ex-companheira. Está agora detido.

O La Vanguardia divulgou imagens das buscas no YouTube.

De acordo com a imprensa espanhola, há meses que a polícia dirigira o foco da investigação para um desaparecimento não voluntário de Mònica Borràs Villaró. A tese de que saíra de casa não era comprovada pelas câmaras que existiam nas proximidades da habitação: em nenhuma delas foi identificada a mulher de 49 anos, na altura em que teria deixado o edifício. O que levou os Mossos d'Esquadra à desconfiança, que se veio a confirmar, de que ela não tinha, na verdade, saído de casa.

Ainda ontem o jornal El País avançou que o número de mulheres assassinadas em Espanha desde 2003, em contexto de violência doméstica, já chega a 1000.

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