Berlim recebe reunião para relançar o processo de paz na Ucrânia

França, Alemanha, Rússia e Ucrânia vão reunir-se em Berlim na segunda-feira

Os ministros dos Negócios Estrangeiros francês, alemão, russo e ucraniano vão reunir-se em Berlim na segunda-feira para relançar o processo de paz na Ucrânia, confirmou a diplomacia francesa, considerando que tal decisão condiciona o levantamento de sanções contra a Rússia

A suspensão das sanções europeias contra Moscovo, exigida pelo novo governo italiano, só entrará em vigor se o processo de paz avançar na Ucrânia, advertiu o chefe da diplomacia francesa Jean-Yves Le Drian, em declarações à rádio Europe 1.

"A revisão das sanções contra os russos depende do processo de pacificação da Ucrânia, que foi decidido por todos os países europeus e agora devemos continuar", afirmou o responsável, sublinhando: "A partir do momento em que avançamos (sobre a Ucrânia), podemos colocar a questão das sanções e é isso que diremos aos italianos".

O novo chefe do governo italiano, Giuseppe Conte, disse na terça-feira que o seu país é a favor da revisão das sanções económicas impostas à Rússia.

"Seremos partidários de uma abertura à Rússia, que reforçou o seu papel internacional nos últimos anos em várias crises geopolíticas" e representa um importante parceiro económico para as empresas italianas, afirmou.

Jean-Yves Le Drian salientou, por seu lado, que houve uma "janela de oportunidade" para relançar o processo de paz após as eleições presidenciais de março na Rússia e a reeleição de Vladimir Putin.

"Devemos agora avançar (...) devemos aproveitar este momento para agir", disse.

Os Acordos de Minsk, assinados em 12 de fevereiro de 2015 sob os auspícios de Paris, Berlim e Moscovo, nunca terminaram com o conflito, com os separatistas pró-russos e a Ucrânia a acusarem-se mutuamente de exacerbar as tensões.

O conflito já matou mais de 10.000 pessoas desde 2014

Os chamados encontros "do formato da Normandia" - que reúnem, além da Ucrânia e da Rússia, os copatrocinadores destas negociações (Alemanha e França) - tornaram-se cada vez mais raros, mesmo com um aumento da violência no terreno.

Kiev e os países ocidentais acusam a Rússia de apoiar militarmente os rebeldes, o que Moscovo nega. O conflito já matou mais de 10.000 pessoas desde 2014.

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