Theresa May enfrenta motim. Plano para o brexit em causa

O ministro dos Negócios Estrangeiros, Boris Johnson, anunciou a demissão, confirmou fonte do governo, horas depois da demissão do ministro para o brexit, David Davis.

O ministro dos Negócios Estrangeiros Britânicos, Boris Johnson, bateu com a porta do governo britânico. É a segunda demissão no espaço de horas.

David Davis, ministro para o brexit, foi o primeiro. Invocou discordar com o plano da primeira-ministra, revelado na sexta-feira, para a criação de uma zona de comércio livre entre o Reino Unido e União Europeia.

Na sexta-feira, após uma reunião de várias horas, a primeira-ministra Theresa May havia anunciado ter reunido apoio do seu governo sobre um plano para o futuro relacionamento comercial do seu país com a União Europeia.

May planeia deslocar-se a Bruxelas para apresentar a estratégia, que passa pelo estabelecimento de uma área de comércio livre que obriga o Reino Unido a respeitar os regulamentos europeus.

Este acordo não agrada à linha dura dos eurocéticos: é considerado suave. Após a renúncia de Davis, as apostas recaíam sobre Boris Johnson, até agora a voz dos brexiteers no governo.
Este, na reunião de Chequers, na residência de campo da primeira-ministra, terá classificado o acordo de mau.

Já os empresários britânicos suspiram pelo acordo que Theresa May quer assinar com Bruxelas.

"Estamos todos fartos do brexit e os líderes empresariais pedem ao governo que se una a esta última proposta e garanta um acordo com a UE rapidamente. Não é perfeito, mas é um compromisso razoável... vamos seguir em frente em prol dos negócios, da economia, dos empregos e da sanidade da nação", disse o administrador da cadeia de pubs Young's, Patrick Dardis, ao Evening Standard.

May pressiona UE

A União Europeia precisa empenhar-se de forma construtiva com a nova proposta de brexit ou arrisca-se a ver o Reino Unido sair sem um acordo. Foi com esta ameaça velada que a primeira-ministra se apresentou aos deputados nesta tarde, já na ressaca da demissão dos ministros.
"O que estamos a propor é um desafio para a UE, exige que pensem novamente, que olhem além das posições que tomaram até agora e concordem com um novo e justo equilíbrio de direitos e obrigações", disse May no parlamento.

O presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, reagiu às demissões com otimismo.

"Os políticos vão e vêm, mas os problemas que criaram para o povo permanecem. Só lamento que a ideia do brexit não vá com Davis e Johnson. Porém... quem sabe?", escreveu Tusk no Twitter.

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