Ministro demite-se após comentário ofensivo sobre desastre de 2011

O primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, pediu desculpas por um comentário "extremamente inapropriado" e "doloroso" para aqueles afetados pela tragédia

O ministro da Reconstrução japonês, Masahiro Imamura, apresentou hoje a demissão, um dia depois de ter feito um comentário considerado ofensivo sobre o maremoto de 11 de março de 2011.

Numa reunião do Partido Liberal Democrata (PLD, no poder), Imamura, de 70 anos, disse ter sido uma sorte que o desastre de 11 de março de 2011 tenha atingido o nordeste do país em vez da área metropolitana de Tóquio.

O ministro afirmou que o desastre causou prejuízos nas infraestruturas sociais avaliados em 226 milhões de dólares (207 milhões de euros), um impacto que teria sido muito maior caso a zona da capital tivesse sido afetada, de acordo com os meios de comunicação social japoneses presentes na reunião, na terça-feira.

Imamura retratou-se pouco depois e o primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, pediu desculpas por um comentário "extremamente inapropriado" e "doloroso" para aqueles afetados pela tragédia.

O novo ministro da Reconstrução vai ser Masayoshi Yoshino, natural da prefeitura de Fukuxima e ex-vice-ministro do Ambiente, indicou a agência noticiosa Kyodo.

Imamura dirigia a pasta da Reconstrução desde a mais recente remodelação do Governo de Shinzo Abe, realizada em agosto passado.

O Ministério foi criado em 2011 para se ocupar da reconstrução das zonas afetadas pelo maremoto de 11 de março desse ano, e dos problemas relacionados com o acidente nuclear desencadeado na central de Fukuxima.

A oposição nipónica tinha pedido, no início do mês, a demissão de Imamura, por o político ter afirmado, durante uma conferência de imprensa sobre o apoio aos deslocados de Fukuxima, que as pessoas que se retiraram voluntariamente da zona e não regressaram, apesar do levantamento das ordens de evacuação, se devem defender sozinhas.

"É sua própria responsabilidade, a sua própria escolha", disse o então ministro para defender a decisão do Governo central de cessar a assistência financeira aos cerca de 26 mil "deslocados voluntários", residentes que saíram voluntariamente das zonas em torno da central que não foram legalmente definidas como zonas obrigatórias de evacuação.

Muitas dessas pessoas não têm intenção ou não têm possibilidades de regressar às suas casas devido sobretudo a preocupações relacionadas com a radiação e dificuldades financeiras.

Aproximadamente 40 mil pessoas continuam ainda deslocadas devido àquele que foi o segundo pior acidente nuclear na História, a seguir ao desastre de Chernobil, na Ucrânia, em 1986.

O desastre de 11 de março de 2011 no Japão causou 15 893 mortos e 2553 desaparecidos, de acordo com o balanço oficial.

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