Milhares protestam no Haiti contra "palavras racistas" de Trump

"Hoje estamos nas ruas para repudiar as palavras racistas de Donald Trump contra o povo haitianoo", disse o dirigente da oposição Moise Jean Charles.

Milhares de haitianos saíram esta segunda-feira às ruas para repudiar as "palavras racistas" do Presidente norte-americano sobre o Haiti e para criticar a falta de posição do Governo face à opinião atribuída a Donald Trump.

A manifestação de hoje foi a segunda no Haiti motivada pelas palavras que a imprensa norte-americana atribuiu ao chefe de Estado dos EUA, que se terá referido a países africanos e a outros Estados, incluindo o Haiti, como "países de merda".

Na quinta-feira passada, centenas de pessoas tinham-se concentrado em frente à embaixada dos Estados Unidos em Port-au-Prince, capital haitiana.

"Hoje estamos nas ruas para repudiar as palavras racistas de Donald Trump contra o povo haitiano. Somos um país digno e temos um passado glorioso. O Haiti lutou com os norte-americanos contra os ingleses e ajudámos a libertar toda a América através da nossa revolução", disse o dirigente da oposição Moise Jean Charles.

O responsável político acrescentou que, apesar de ter dificuldades, o Haiti tem de ter "orgulho" e "o mundo tem de respeitar o país".

Segundo órgãos de comunicação norte-americanos, a 11 de janeiro Trump chamou "países de merda" a El Salvador, Haiti e países africanos, e sugeriu que preferiria antes receber nos Estados Unidos imigrantes da Noruega.

Um dia depois, o Presidente norte-americano desmentiu essas afirmações, apesar de ter admitido que utilizou "uma linguagem dura".

"Pedimos desculpas por parte da administração norte-americana ao povo haitiano", ironizou o dirigente opositor, numa referência à ausência de uma posição por parte do Presidente haitiano, Jovenel Moise, e do primeiro-ministro, Jack Guy Lafontant.

Charles recomendou que os haitianos estejam atentos a quem "não tem capacidade" para defender o seu país contra ataques racistas de outros países.

Um amplo contingente policial impediu que os manifestantes chegassem, desta vez, à representação diplomática norte-americana na capital haitiana.

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