Milhares nas ruas exigem responsabilidades pelos incêndios na Galiza

Milhares de pessoas marcharam hoje pelas ruas de Santiago de Compostela, em Espanha, protestando contra os incêndios que devastaram a Galiza e exigindo responsabilidades e demissões no governo regional, inclusive a do próprio presidente, ALberto Núnez Feijoo.

De acordo com a agência Efe, a manifestação começou ao meio dia nos arredores da capital galega e percorreu as ruas do centro histórico de Compostela, até chegar à icónica praça da Quintana, onde fica a Catedral, contando com a presença de representantes dos partidos En Marea e BNG.

No fim de semana passado, mais de 250 incêndios florestais deflagraram em diferentes pontos da Galiza, provocando a morte a quatro pessoas e queimando cerca de 35.500 hectares.

No local, os milhares de participantes leram um manifesto em que pediram a retirada da recente "lei da depredação" da Galiza, aprovada esta semana no parlamento com os votos exclusivos do PP.

A Efe refere que esta lei, entre outras medidas, favorece a proliferação de espécies de queima rápida, como o eucalipto.

Durante a marcha, os manifestantes mostraram cartazes onde se lia "A Galiza diz não à lei da depredação, fogos florestais nunca mais!", "Atrás de um incendiário há um empresário" ou "Feijoo renuncia, a Galiza não admite".

O protesto, convocado pela Plataforma Galega contra a Lei da Depredação, destinava-se inicialmente a expressar a rejeição desta nova legislação, mas transformou-se numa crítica à forma como a Junta da Galiza geriu os últimos incêndios.

No domingo passado, o presidente da Junta da Galiza descreveu como complexa a situação naquela região espanhola devido a uma "atividade incendiária homicida", seca persistente e descontrolo dos incêndios em Portugal, que "saltaram o [rio] Minho" pela primeira vez.

Já na segunda-feira milhares de pessoas concentraram-se em vários municípios para protestar contra a gestão da Junta da Galiza, depois de incêndios florestais terem afetado a região e causado a morte de quatro pessoas, manifestando solidariedade com Portugal.

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'Motu proprio' anti-abusos

1. Muitas vezes me tenho referido aqui, e não só aqui, à tragédia da pedofilia na Igreja. Foram milhares de menores e adultos vulneráveis que foram abusados. Mesmo sabendo que o número de pedófilos é muito superior na família e noutras instituições, a gravidade da situação na Igreja é mais dramática. Por várias razões: as pessoas confiavam na Igreja quase sem condições, o que significa que houve uma traição a essa confiança, e o clero e os religiosos têm responsabilidades especiais. O mais execrável: abusou-se e, a seguir, ameaçou-se as crianças para que mantivessem silêncio, pois, de outro modo, cometiam pecado e até poderiam ir para o inferno. Isto é monstruoso, o cume da perversão. E houve bispos, superiores maiores, cardeais, que encobriram, pois preferiram salvaguardar a instituição Igreja, quando a sua obrigação é proteger as pessoas, mais ainda quando as vítimas são crianças. O Papa Francisco chamou a esta situação "abusos sexuais, de poder e de consciência". Também diz, com razão, que a base é o "clericalismo", julgar-se numa situação de superioridade sagrada e, por isso, intocável. Neste abismo, onde é que está a superioridade do exemplo, a única que é legítimo reclamar?