Migrações: Salvini ameaça recorrer à justiça após desembarque que proibiu

O ministro do Interior italiano, Matteo Salvini, ameaçou recorrer à justiça depois de 47 migrantes resgatados por um navio de ajuda humanitária terem desembarcado no sul do país apesar da sua proibição explícita.

Falando num programa de televisão no domingo à noite, Salvini criticou a procuradoria de Agrigento (Sicília) por apreender o navio da organização não-governamental Sea Watch e permitir o desembarque dos migrantes que esperavam há quatro dias poder chegar a terra após terem sido recolhidos no Mediterrâneo.

"Pretendo denunciar por favorecer a imigração clandestina quem quer que permita que desembarquem migrantes de um navio ilegalmente. Isto vale também para qualquer órgão do Estado. Se este procurador autoriza o desembarque também irei até ao fim", afirmou o líder do partido de extrema-direita Liga.

O procurador-geral de Agrigento, Luigi Patronaggio, ordenou a apreensão temporária do navio para esclarecer se a conduta do capitão violou a lei, mas também ordenou que os migrantes transportados desembarcassem, tendo estes sido levados para a ilha de Lampedusa.

A Sea Watch resgatou na quarta-feira 65 migrantes que se encontravam em situação de perigo no Mediterrâneo e na sexta-feira as autoridades italianas autorizaram o desembarque de 18 deles - doentes e famílias com filhos pequenos -, mas Salvini disse que nenhum outro pisaria solo italiano.

Após mais dois dias de espera, o capitão do navio, Arturo Centore, anunciou que entraria no porto por sua iniciativa, enquanto migrantes a bordo ameaçaram saltar para o mar e nadar até terra. Centore está a ser investigado por favorecer a imigração ilegal.

Salvini também atacou os seus parceiros no governo, lançando a hipótese de "algum ministro" ter "aberto o porto", numa referência ao titular dos Transportes e Infraestruturas, Danilo Toninelli, do Movimento 5 Estrelas (M5S).

O líder do M5S, Luigi di Maio, afirmou não aceitar as acusações de Salvini e instou-o a ler as leis do Estado sobre a separação de poderes.

Exclusivos