Jovem foi expulso da Alemanha e mandado de volta ao Afeganistão. Suicidou-se

Tinha 23 anos e enforcou-se no alojamento provisório em Cabul, onde tinha chegado a 04 de julho juntamente com 68 compatriotas

Um afegão com 23 anos, expulso recentemente da Alemanha, ao mesmo tempo que 68 dos seus compatriotas, enforcou-se no seu alojamento provisório em Cabul, anunciou na quarta-feira o Ministério dos Refugiados afegão.

Segundo o porta-voz do Ministério, Hafiz Ahmad Miakhail, o jovem, cuja identidade não foi revelada, tinha chegado em 04 de julho com o resto do grupo.

"O corpo foi encontrado pendurado. Está em curso uma investigação", declarou o porta-voz à agência noticiosa AFP.

A Agência Internacional das Migrações (AIM) avançou, por seu lado, que tinha sido descoberto na terça-feira no seu quarto de hotel, uma semana depois da sua chegada.

O jovem tinha sido instalado no hotel pela AIM, enquanto se preparava a viagem do seu regresso à sua cidade natal, Herat, no oeste do Afeganistão.

"Desde o início do ano, 148 afegãos foram expulsos" da Alemanha, segundo o Ministério dos Refugiados em Cabul, cidade considerada perigosa pela Organização das Nações Unidas.

Um porta-voz do Serviço de Imigração de Hamburgo, no norte da Alemanha, onde residia o jovem, declarou à agência noticiosa alemã DPA que ele tinha chegado em 2011 e solicitado a concessão de asilo. Este tinha sido rejeitado, mas ele apresentou vários recursos até 2017.

A mesma fonte adiantou que este jovem tinha sido acusado de roubo, tentativa de ferir o corpo de terceiros e violação da lei sobre os estupefacientes.

A Alemanha começou as expulsões de afegãos por pequenas grupos em 2016, jovens na sua maior parte, depois de um acordo entre as autoridades alemãs e afegãs.

Um deste, chegado em fevereiro de 2017, foi ferido devido a um atentado em Cabul, duas semanas depois do seu regresso forçado.

O ministro do Interior alemão, o conservador Horst Seehofer, tinha ironizado na véspera com estas expulsões de afegãos, ao declarar "Precisamente no dia dos meus 69 anos, 69 pessoas vão ser expulsas para o Afeganistão. Eis uma coisa que não encomendei".

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