Itália exige "garantias" antes de autorizar entrada de navio com migrantes

Entre os 67 migrantes a bordo do navio da guarda costeira, há um grupo que alegadamente se revoltou contra a tripulação do navio que os resgatou, com medo de ser devolvido à Líbia. Salvini exige que sejam detidos.

O governo de Itália exigiu hoje garantias de segurança antes de autorizar a entrada de um navio-patrulha da guarda costeira italiana com mais de 60 migrantes a bordo num porto da Sicília, reafirmando desta forma a sua postura anti-imigração.

A embarcação em questão é o navio-patrulha "Diciotti" que, na terça-feira, acolheu cerca de 67 migrantes que tinham sido resgatados no Mediterrâneo, ao largo da Líbia, pelo navio "Vos Thalassa", de bandeira italiana.

Segundo informações divulgadas pelos 'media' italianos, existem relatos de que alguns dos migrantes transferidos para o "Diciotti" terão se revoltado, com medo de serem devolvidos às autoridades líbias, contra a tripulação do "Vos Thalassa".

No seguimento das ameaças, a tripulação do "Vos Thalassa" viu-se forçada a recolher-se para a sala de comandos do navio e a pedir ajuda ao centro de resgate marítimo com sede em Roma de forma a encontrar uma solução para a situação, de acordo com as mesmas informações.

A solução encontrada foi a transferência dos migrantes para a embarcação da guarda costeira italiana.

"Por enquanto, não há porto" para o navio-patrulha "Diciotti", afirmou hoje o vice-primeiro-ministro italiano e ministro do Interior, Matteo Salvini, em declarações à comunicação social, assegurando ainda que os eventuais "autores de ameaças ou de agressões não acabarão no hotel, mas sim na prisão".

Nas mesmas declarações, Salvini reiterou que não irá autorizar nenhum tipo de desembarque que não garanta a segurança dos italianos.

Informações divulgadas, entretanto, pela imprensa italiana indicam que o navio-patrulha da guarda costeira italiana "Diciotti" poderá vir a ter autorização para atracar no porto siciliano de Trapani no final do dia de hoje.

No executivo italiano desde o passado dia 01 de junho, Matteo Salvini, líder do partido de extrema-direita Liga, tem bloqueado ao longo das últimas semanas o acesso aos portos italianos a vários navios de organizações não-governamentais (ONG) que estão envolvidas no resgate de migrantes no mar Mediterrâneo, posição que marca a nova linha dura do governo de Roma em matérias migratórias.

Mas a atual situação acaba por ser diferente, uma vez que a proibição atinge, pela primeira vez, um navio com bandeira italiana.

Matteo Salvini, que quer reduzir a zero o número de migrantes que chegam às costas italianas, vai reunir-se com os seus homólogos austríaco e alemão em Innsbruck, Áustria, à margem de uma reunião de ministros do Interior da União Europeia (UE) prevista para quinta-feira.

O caso do "Diciotti" ganhou, entretanto, outros contornos.

O caso está a revelar divergências no seio da coligação governamental italiana, integrada pela Liga de Matteo Salvini e pelo Movimento 5 Estrelas (M5S, populista) de Luigi Di Maio, cuja fação mais à esquerda opõe-se ao encerramento dos portos italianos.

Luigi Di Maio, que também é vice-primeiro-ministro e ministro do Trabalho, argumentou, na terça-feira, que o "Diciotti" deve ter autorização para atracar.

"Se um navio italiano interveio numa situação que deve ser esclarecida (...) então devemos dar seguimento à situação e permitir o desembarque", disse Luigi Di Maio.

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