Governo italiano acusa ONG de intrometer-se em novo resgate no Mediterrâneo

Ministro do Interior italiano recusa desembarque a mais 50 imigrantes resgatados pela organização Proactiva

O ministro do Interior de Itália acusou a organização não-governamental (ONG) Proactiva de resgatar 50 imigrantes no Mediterrâneo antes da intervenção da guarda costeira da Líbia e avisou que não permitirá que a embarcação chegue a Itália.

"O navio Open Arms, de uma ONG espanhola com bandeira de Espanha, precipitou-se há pouco para um barco e, antes da intervenção de um navio líbio na zona, apressou-se a embarcar cerca de 50 imigrantes a bordo", disse Matteo Salvini na sua conta no Facebook.

O governante observou que "este navio está em águas SAR [de busca e salvamento] da Líbia" e que o porto mais próximo é Malta, avisando que não permitirá a sua atracagem em Itália.

O também vice-presidente do Governo italiano tem acusado as ONG que salvam imigrantes no Mediterrâneo de promoverem o tráfico de seres humanos, de que enriquecem as máfias que operam nas praias do falido Estado da Líbia.

Salvini, ministro do Interior, em colaboração com o Ministério das Infraestruturas, com as competências dos portos, decidiu proibir a atracagem de navios dessas organizações em território italiano, mesmo que apenas para se abastecerem de provisões.

Tirem da ideia chegar a um porto italiano. Stop à mafia de tráfico de seres humanos: quanto menos pessoas partem, menos pessoas morrem.

Esta sexta-feira, o Ministério das Infraestruturas proibiu o acesso a um dos portos do país do navio Astral, o outro navio com o qual a ONG Proactiva opera, "por razões de ordem pública" depois de este ter pedido permissão para reabastecer e mudar a tripulação.

Também Malta tem impedido várias ONG de usarem os seus serviços portuários até que o caso do navio da organização alemã Lifeline seja esclarecido.

Esta semana, Malta só permitiu o acesso do barco da ONG Lifeline ao seu porto após chegar um acordo para distribuir os refugiados por oito países da União Europeia (Malta, Irlanda, Itália, Luxemburgo, Portugal).

Salvini, chefe do partido de extrema-direita Liga, tornou a imigração um tema quente na Itália, apesar de as chegadas de imigrantes terem caído consideravelmente.

Segundo dados do seu próprio ministério, até 28 de junho, 16.566 imigrantes desembarcaram em Itália, 79,07% menos que no mesmo período do ano passado (79.154 imigrantes), e a maioria partiu da Líbia, um total de 11.401 pessoas.

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