Juncker preocupado com aumento das chegadas de migrantes a Espanha

Presidente da Comissão Europeia comprometeu-se a desbloquear 55 milhões de euros, lamentando o facto de os recursos para o norte de África serem "infelizmente" limitados.

O presidente da Comissão Europeia expressou hoje a Pedro Sánchez a sua preocupação pelo aumento das chegadas de migrantes a Espanha, um dia depois de endereçar uma carta ao Governo espanhol na qual lamenta a escassez de recursos.

"O presidente Juncker acabou de ter uma conversa telefónica com o primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, na qual reiterou a mensagem de que estamos ao lado de Espanha. Partilhamos a preocupação com o aumento das chegadas de migrantes a Espanha, e estamos preparados para providenciar ajuda extra", revelou a porta-voz do executivo comunitário, na conferência de imprensa diária da instituição, em Bruxelas.

Mina Andreeva informou ainda que o comissário europeu das Migrações e Assuntos Internos, Dimitris Avramopulos, viajará para Espanha "nos próximos dias" a pedido do presidente da Comissão Europeia, para abordar o incremento da chegada de migrantes ao país.

"Sensação de urgência"

Horas antes, numa carta endereçada ao primeiro-ministro espanhol, à qual a agência Lusa teve acesso, Jean-Claude Juncker disse partilhar a "sensação de urgência" pela situação que o incremento do fluxo de migrantes pelo Mediterrâneo gerou em Espanha.

Na carta, datada de 31 de julho e escrita em espanhol, o presidente do executivo comunitário reconheceu a necessidade de agir"mais e com maior rapidez" para fazer face à crise migratória, lamentando, todavia, o facto de os recursos do Fundo Fiduciário da União Europeia (UE) para o norte de África serem "infelizmente" limitados.

"Com o fim de reduzir os fluxos de migrantes que chegam a Espanha, estou plenamente de acordo contigo sobre a importância de fortalecer a cooperação com os países de origem, de trânsito, e de destino da migração, e, em particular, sobre a necessidade de reforçar a urgentemente a vigilância das fronteiras com Marrocos", escreveu.

O presidente da Comissão Europeia lembrou que, em 06 de julho, o Comité Operacional daquele fundo aprovou um programa de gestão de fronteiras, no valor de 55 milhões de euros. "A Comissão está a fazer tudo ao seu alcance para garantir a rápida execução desse programa", pontuou.

Juncker assumiu estar "plenamente consciente de que as necessidades manifestadas por Marrocos exigem um esforço financeiro muito superior".

"Como bem sabes, lamentavelmente os recursos do Fundo Fiduciário da UE para o norte de África são limitados", vincou, recordando a carta endereçada, em 25 de julho, pela Comissão aos Estados-membros, na qual o executivo comunitário instava os 28 a alimentar o Fundo com valores que se ajustem à realidade atual.

"Dito isto, tem a certeza de que logo que disponhamos dos fundos necessários para este programa, este será alvo de um novo incremento, tanto no decurso deste ano, como em 2019. Em todo o caso, este tema continuará uma prioridade máxima para nós", asseverou.

Mais migrantes do que em todo o ano passado

Na segunda-feira, Bruxelas confirmou estar a avaliar o pedido de ajuda de emergência adicional feito por Espanha, na sequência da entrada em Ceuta de 602 imigrantes da África subsaariana na passada quinta-feira.

O número de imigrantes resgatados pelas autoridades espanholas nesta zona até finais de julho (22 092 pessoas) já supera o total do ano passado.

Espanha é o país comunitário que mais migrantes recebeu este ano, superando Itália (18 130) e Grécia (15 528), segundo dados da Organização Internacional das Migrações.

Ler mais

Exclusivos

Premium

Ferreira Fernandes

Conhecem a última anedota do Brexit?

Quando uma anedota é uma anedota merece ser tratada como piada. E se a tal anedota ocupa um importante cargo histórico não pode ser levada a sério lá porque anda com sapatos de tigresa. Então, se a sua morada oficial é em Downing Street, o nome da rua - "Downing", que traduzido diz "cai, desaba, vai para o galheiro..." - vale como atual e certeira análise política. Tal endereço, tal país. Também o número da porta de Downing Street, o "10", serve hoje para fazer interpretações políticas. Se o algarismo 1 é pela função, mora lá a primeira-ministra, o algarismo 0 qualifica a atual inquilina. Para ser mais exato: apesar de ela ser conservadora, trata-se de um zero à esquerda. Resumindo, o que dizer de uma poderosa governante que se expõe ao desprezo quotidiano do carteiro?

Premium

Adolfo Mesquita Nunes

A escolha de uma liberdade

A projeção pública da nossa atividade, sobretudo quando, como é o caso da política profissional, essa atividade é, ela própria, pública e publicamente financiada, envolve uma certa perda de liberdade com que nunca me senti confortável. Não se trata apenas da exposição, que o tempo mediático, por ser mais veloz do que o tempo real das horas e dos dias, alargou para além da justíssima sindicância. E a velocidade desse tempo, que chega a substituir o tempo real porque respondemos e reagimos ao que se diz que é, e não ao que é, não vai abrandar, como também se não vai atenuar a inversão do ónus da prova em que a política vive.

Premium

Marisa Matias

Penalizações antecipadas

Um estudo da OCDE publicado nesta semana mostra que Portugal é dos países que mais penalizam quem se reforma antecipadamente e menos beneficia quem trabalha mais anos do que deve. A atual idade de reforma é de 66 anos e cinco meses. Se se sair do mercado de trabalho antes do previsto, o corte é de 36% se for um ano e de 45%, se forem três anos. Ou seja, em três anos é possível perder quase metade do rendimento para o qual se trabalhou uma vida. As penalizações são injustas para quem passou, literalmente, a vida toda a trabalhar e não tem como vislumbrar a possibilidade de deixar de fazê-lo.