Michelle ataca Trump: perigoso, xenófobo e um perseguidor

Chama-se Becoming, foi lançado esta terça-feira, e é o livro de memórias da ex-primeira dama Michelle Obama. Os media americanos já haviam publicado excertos, dando destaque às críticas cerradas ao sucessor do marido na Casa Branca

"Toda a história [de Barack Obama ter nascido no Quénia e não no Havai] era uma loucura e mal-intencionada. Claro que revela uma intolerância e xenofobia mal escondidas. Mas foi também perigoso, tentando deliberadamente incitar os maluquinhos." No seu livro de memórias Becoming, Michelle Obama não poupa nas críticas a Donald Trump.

A obra foi lançada esta terça-feira, mas os media americanos começaram a publicar excertos antes. Michelle acusa o atual presidente de espalhar mentiras sobre a origem do marido, pondo em perigo a sua família: "E se alguém com uma mente instável pegasse numa arma e conduzisse até Washington? E se essa pessoa fosse atrás das nossas filhas? Donald Trump com as suas insinuações irresponsáveis estava a pôr a segurança da minha família em risco. E nunca lhe perdoarei por isso".

"Trump com as suas insinuações irresponsáveis estava a pôr a segurança da minha família em risco. E nunca lhe perdoarei"

Em 2011, numa entrevista à FOX News, Trump afirmara que Obama "não tem uma certidão de nascimento, ou se tem, há algo nesse documento que é muito mau para ele". Só cinco anos mais tarde, já durante a campanha para as presidenciais, o milionário admitiu que Obama nasceu mesmo nos EUA, não sem aproveitar para lançar a insinuação de que teria sido Hillary Clinton - a rival de Obama nas primárias democratas de 2008 e mais tarde sua secretária de Estado - a espalhar o boato.

Michelle usa as 426 páginas de Becoming para fazer o seu mais duro ataque ao sucessor do marido na Casa Branca até agora. A ex-primeira dama recorda a sua incredulidade naquela noite de novembro de 2016 em que ficou a saber que Trump derrotara Hillary na corrida à presidência dos EUA. E como tentou "bloquear tudo isso".

A ex-primeira dama mal queria acreditar que o homem que durante a campanha surgira num vídeo de 2005 a vangloriar-se de ter agarrado mulheres sem o seu consentimento tinha acabado de ser eleito presidente. Para ela, as palavras do milionário no vídeo do programa Access Hollywood provam que ele acha aceitável "magoar uma mulher e escapar impune".

Ainda sobre a campanha para as presidenciais de 2016, Michelle recorda o debate entre Trump e Hillary em que ele "perseguiu" a democrata. O republicano parecia seguir a rival pelo palco, colocando-se atrás dela, muito próximo, enquanto ela falava no que parecia uma tentativa de intimidação.

Desejo e gratidão por Barack

Michelle dividiu as suas memórias em três partes. A primeira retrata a sua infância e adolescência em Chicago, a segunda conta o seu romance com Barack e a terceira refere-se à sua vida como figuras públicas.

"Assim que dei a mim própria autorização para sentir algo pelo Barack, os sentimentos vieram em catadupa - um misto de desejo, gratidão, realização e espanto", escreveu sobre o início da sua relação com o futuro presidente. Michelle foi orientadora de estágio de Barack num escritório de advogados de Chicago.

A política surgiu mais tarde, mas Michelle não esquece como se sentiu "assombrada" pelas críticas de que foi alvo durante a campanha presidencial do marido, sobretudo devido à cor da sua pele. "Eu carregava uma história que não era a dos outros presidentes e primeiras damas", escreve.

As memórias de Michelle chegam a Portugal também no dia 13, estando disponíveis na versão em inglês e em português. Em português o livro chama-se Becoming - A Minha História, estando à venda por 20,61 euros.

Notícia atualizada às 14:40 de dia 13 de novembro para dar conta do lançamento do livro.

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