Governo de Michel Temer: 23 ministros, nenhuma mulher

Temer será o primeiro presidente brasileiro a não ter nenhuma ministra desde 1979

O antigo vice de Dilma Rousseff já tomou posse como presidente interino, substituindo a presidente afastada esta quinta-feira no âmbito do processo de destituição. Michel Temer divulgou na rede social Twitter várias imagens do momento, ainda antes de se dirigir ao país, o que deverá acontecer ainda esta tarde.

Temer recebeu a notificação de que passava a ser o presidente às 11.25 locais, e anunciou pouco depois os nomes dos ministros que vão integrar o seu governo, que será o primeiro desde 1979 a não integrar nenhuma mulher.

O vice-presidente de Dilma que se autointitulava de "vice decorativo" passa agora a ser presidente do Brasil durante o tempo em que esta estiver afastada para ser julgada no Senado, que é de até seis meses. Se Dilma Rousseff for condenada de ter cometido crime de responsabilidade fiscal, Temer cumprirá o resto do mandato, até 2018.

No seu discurso de reação à notificação de que tinha sido afastada, Dilma Rousseff voltou a chamar ao processo de impeachment de "golpe", e apelou à luta pela democracia. "O que está em jogo não é apenas o meu mandato", afirmou a presidente. "O que está em causa é o respeito pela vontade soberana do povo brasileiro e pela democracia", disse, sublinhando repetidas vezes que foi eleita com os votos de mais de 54 milhões de brasileiros.

Governo de Temer tem 23 ministros, nenhuma mulher

Ao longo do dia foram sendo conhecidos os nomes de 23 ministros de Temer, uma lista em que não há nenhuma mulher. Segundo o jornal brasileiro A Folha de São Paulo, Temer torna-se assim no primeiro presidente desde Ernesto Geisel, cujo mandato decorreu em 1974 e 1979, a não incluir nenhuma mulher à cabeça dos ministérios.

O ex-presidente do Banco Central do Brasil Henrique Meirelles será o novo ministro da Fazenda (Finanças). A equipa de Michel Temer confirmou à agência Lusa que o senador José Serra, do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), da oposição durante a Presidente de Dilma Rousseff, assumirá o Ministério das Relações Exteriores. José Serra, antigo governador de São Paulo, também já foi ministro de Planeamento e da Saúde do governo de Fernando Henrique Cardoso, tendo um dos seus programas sido a lei de incentivo aos medicamentos genéricos.

Segundo a lista confirmada à agência Lusa, a pasta do Meio Ambiente estará nas mãos de José Sarney Filho, filho de José Sarney, que foi Presidente do país entre 1985 e 1990. Trata-se, neste caso, de um regresso de Sarney Filho a uma pasta que ocupou durante a presidência de Fernando Henrique Cardoso.

Gilberto Kassab assumirá o Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, Raul Jungmann a pasta da Defesa e Romero Jucá o Planeamento, Desenvolvimento e Gestão. Para o Ministério das Cidades irá Bruno Araújo, para a Agricultura, Pecuária e Abastecimento Blairo Maggi e para a Educação e Cultura, que passa a ser um único ministério, Mendonça Filho. A pasta da Saúde ficará a cargo de Ricardo Barros, enquanto a do Turismo com Henrique Alves.

Michel Temer escolheu Ronaldo Nogueira de Oliveira para ministro do Trabalho, Alexandre de Moraes para ministro da Justiça e Cidadania e Mauricio Quintella para liderar a pasta dos Transportes, Portos e Aviação Civil. Fabiano Augusto Martins Silveira será o responsável pelo Ministério da Fiscalização, Transparência e Controle e Osmar Terra pelo Desenvolvimento Social e Agrário. A pasta do Desporto será liderada por Leonardo Picciani, num ano importante para o Brasil, devido aos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, que começam em agosto.

Geddel Vieira Lima passará a ser o ministro-chefe da Secretaria de Governo, enquanto Sérgio Etchegoyen será o novo ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional. De acordo com a equipa de Michel Temer, Eliseu Terra é o nome escolhido para ministro-chefe da Casa Civil e Fábio Osório Medina será o novo advogado-geral da União.

Com Lusa

(Notícia atualizada com número final de ministros: 23)

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