México detém mulher do líder do cartel de droga mais temido no país

Rosalinda Gonzalez Valencia foi detida sábado acusada de dirigir as finanças do grupo

As autoridades mexicanas detiveram a mulher do líder de um dos mais temidos cartéis de droga do país, acusada de dirigir as finanças da organização, e colocaram o estado de Jalisco em alerta por possíveis represálias.

Os fuzileiros mexicanos colocaram Rosalinda Gonzalez Valencia sob custódia no sábado, ao mesmo tempo que foi capturado outro dos membros-chave da organização Gerardo Botello Rosales, ou 'El Cachas', também na cidade de Zapopan, adiantou o ministro do Interior mexicano no domingo.

Alfonso Navarrete disse antecipar "uma violenta reação" do cartel, adiantando que oficiais do governo já tomaram precauções para prevenir ou responder a possíveis agressões.

'El Cachas" é suspeito de dirigir as operações do cartel nos estados de Guanajuato e Michoacan, e está acusado de homicídio, sequestro e extorsão. Sobre Gerardo Botello Rosale pende ainda uma ordem de extradição do estado norte-americano de Oregon por um homicídio cometido em 2002.

Um especialista mexicano na área da segurança disse à agência de notícias Associated Press que as detenções de sábado fazem parte de um cerco que está montado há já um ano ao líder do cartel 'Jalisco New Generation' Nemesio Oseguera Cervantes, conhecido como 'El Mencho'.

O ministro do Interior mexicano recusou especular sobre se estaria para breve a detenção 'El Mencho', quando questionado sobre essa probabilidade durante a conferência de imprensa de domingo. Mas admitiu esperar ter em breve notícias sobre este caso.

Em 2015, membros do cartel chegaram mesmo a abater um helicóptero mexicano, o que levou as autoridades a declararem uma ofensiva global contra o grupo criminoso. As tensões acentuaram-se a partir de fevereiro último, após o cartel, alegadamente, ter sequestrado e matado dois agentes federais no estado de Nayarit.

O cartel 'Jalisco New Generation' está referenciado sobretudo pelo tráfico de metanfentaminas, mas também de cocaína, heroína e marijuana, com distribuição nos Estados Unidos, segundo as autoridades norte-americanas, em Los Angeles, Nova Iorque e Atlanta.

Ler mais

Premium

João Gobern

Tirar a nódoa

São poucas as "fugas", poucos os desvios à honestidade intelectual que irritem mais do que a apropriação do alheio em conluio com a apresentação do mesmo com outra "assinatura". É vulgarmente referido como plágio e, em muitos casos, serve para disfarçar a preguiça, para fintar a falta de inspiração (ou "bloqueio", se preferirem), para funcionar como via rápida para um destino em que parece não importar o património alheio. No meio jornalístico, tive a sorte de me deparar com poucos casos dessa prática repulsiva - e alguns deles até apresentavam atenuantes profundas. Mas também tive o azar de me cruzar, por alguns meses, tempo ainda assim demasiado, com um diretor que tinha amealhado créditos ao publicar como sua uma tese universitária, revertido para (longo) artigo de jornal. A tese e a história "passaram", o diretor foi ficando. Até hoje, porque muitos desconhecem essa nódoa e outros preferiram olhar para o lado enquanto o promoviam.

Premium

Rogério Casanova

Três mil anos de pesca e praia

Parecem cagalhões... Tudo podre, caralho... A minha sanita depois de eu cagar é mais limpa do que isto!" Foi com esta retórica inspiradora - uma montagem de excertos poéticos da primeira edição - que começou a nova temporada de Pesadelo na Cozinha (TVI), versão nacional da franchise Kitchen Nightmares, um dos pontos altos dessa heroica vaga de programas televisivos do início do século, baseados na criativa destruição psicológica de pessoas sem qualquer jeito para fazer aquilo que desejavam fazer - um riquíssimo filão que nos legou relíquias culturais como Gordon Ramsay, Simon Cowell, Moura dos Santos e o futuro Presidente dos Estados Unidos. O formato em apreço é de uma elegante simplicidade: um restaurante em dificuldades pede ajuda a um reputado chefe de cozinha, que aparece no estabelecimento, renova o equipamento e insulta filantropicamente todo o pessoal, num esforço generoso para protelar a inevitável falência durante seis meses, enquanto várias câmaras trémulas o filmam a arremessar frigideiras pela janela ou a pronunciar aos gritos o nome de vários legumes.