Metade dos britânicos deseja novo referendo sobre saída da UE

Uma forte maioria (78%) considera que o governo conservador da primeira-ministra Theresa May não está a conduzir bem as negociações para o Brexit

Uma sondagem divulgada esta segunda-feira no Reino Unido indica que metade dos britânicos deseja a realização de um novo referendo sobre a saída do país da União Europeia (UE), o designado 'Brexit'. Este acolhimento positivo foi expresso também considerando que o boletim de voto deveria ter três opções: sair da UE com o acordo negociado com o governo, sair sem acordo e não sair.

A possibilidade de um referendo foi recusada por 40% dos inquiridos, ao passo que 10% respondeu "não sabe", neste inquérito realizado pela Sky Data para o canal Sky News, com uma amostra representativa de 1.466 adultos, pela internet, nos dias 20 a 23 de julho.

Inquiridos sobre a sua preferência entre as três opções, 48% preferiam não sair da UE, 27% optariam por sair do conjunto comunitário sem acordo, 13% apoiaria o pacto conseguido pelo governo, 8% não votaria e 3% não sabe o que faria.

Entre os que votaram a favor do 'Brexit', no referendo de 23 de junho de 2016, mais de metade (51%) preferia que não houvesse qualquer acordo de saída.

Entre os votantes conservadores, 44% preferiam um não acordo a um acordo entre Londres e Bruxelas.

Uma forte maioria (78%) considera que o governo conservador da primeira-ministra Theresa May não está a conduzir bem as negociações para o 'Brexit', mais 23 pontos percentuais do que o indicado por uma sondagem realizada em março, com 10% a pensar o contrário, uma descida de 13 pontos percentuais.

Mais de metade (52%) também pensa que o 'Brexit' vai ser mau para a economia, contra 35% que pensam o contrário, e 51% também entendem que o conjunto do Reino Unido vai perder com a saída da UE, contra 40%.

Esta sondagem vai em linha com outras, publicadas nas últimas semanas, que parecem indicar um aumento do apoio popular a uma nova consulta sobre os termos da saída da UE, ao mesmo tempo que apontam para uma descida do apoio a May.

Em todas as ocasiões, o Governo de May afirmou que não vai a um segundo referendo "em nenhuma circunstância".

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