Merkel sob pressão na questão dos refugiados

Viktor Orbán, primeiro-ministro húngaro, quer endurecer políticas de fiscalização e fala em "ligação óbvia" com o terrorismo

Já se sentem os efeitos políticos da onda recente de ataques. "Nem todos os muçulmanos são terroristas, mas, na Alemanha, o terrorismo com motivação religiosa foi sempre e até agora muçulmano. Por razões de segurança não podemos permitir a entrada, de forma não controlada, de mais muçulmanos", afirmou ontem Alexander Gauland, vice-presidente do partido Alternativa para a Alemanha (AfD na sigla em alemão). Os populistas exigem a suspensão do direito de asilo para os muçulmanos e classificam de "negligente" a política de portas abertas de Angela Merkel.

As críticas à chanceler não são monopólio da AfD e algumas chegam de aliados políticos . "Precisamos de mais segurança. O terrorismo islâmico chegou à Alemanha. As pessoas têm medo e precisam de respostas dos políticos em vez de intermináveis debates e justificações", sublinha Horst Seehofer, primeiro-ministro da Baviera e líder da União Social Cristã (CSU), partido irmão da União Democrática Cristã (CDU) de Angela Merkel.

No ano passado, a Alemanha recebeu cerca de 1,1 milhões de refugiados e no primeiro semestre deste ano entraram mais de 222 mil requerentes de asilo.

Joachim Herrmann, ministro bávaro do Interior, também da CSU, disse aos jornalistas que é urgente repensar as regras que impedem a deportação de refugiados quando são alegadas razões médicas. As declarações surgem na sequência do ataque em Ansbach. O sírio que se fez explodir no domingo há mais de um ano que vinha a evitar a deportação por motivos de saúde.

Também da Hungria chegam manifestações políticas antirrefugiados. O primeiro-ministro Viktor Orbán afirmou que apenas deixará entrar no seu território os refugiados "submetidos a um severo e amplo controlo".

O líder húngaro já por diversas vezes manifestou o seu desagrado em relação à política europeia de proteção para com aqueles que chegam à procura de asilo. Recentemente, Orbán sublinhou que "existe uma ligação óbvia" entre as migrações e os ataques terroristas. "Quem negar este facto está a pôr em causa a segurança dos europeus", referiu o chefe de governo.

A 2 de outubro, a Hungria irá realizar um referendo de rejeição à política de quotas para os refugiados que a UE quer implementar. Orbán tenciona usar o resultado da votação como um trunfo nas negociações com Bruxelas.

Com Lusa

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