Merkel abre a porta a acordo com Macron sobre reforma da zona euro

Chanceler alemã diz estar preparada para chegar a um compromisso, a três semanas de cimeira chave sobre o tema.

A chanceler alemã, Angela Merkel, disse que a Alemanha deve estar preparada para chegar a um compromisso com a França no que diz respeito à reforma da zona euro, mostrando a sua abertura para negociar a três semanas de uma cimeira europeia em que o futuro do bloco está em jogo.

"Acho que vamos ao encontro um do outro com reformas à união monetária, mas estas reformas não são as únicas reformas de que precisamos", afirmou, mencionando as políticas de asilo, migração, desenvolvimento e segurança, segundo a agência Reuters.

"Com estas reformas, só vamos trabalhar com acordos", afirmou Merkel, num debate sobre a Europa promovido pela televisão alemã WDR.

"Aqueles que não forem capazes de chegar a um compromisso, vão contribuir para a rutura da Europa", afirmou.

Emmanuel Macron defendeu em março, durante a visita de Merkel a Paris após ter sido confirmada para um quarto mandato à frente da Alemanha, a necessidade de preparar um "roteiro claro e ambicioso até final de junho" para refundar a União Europeia, procurando ultrapassar as diferenças que existem entre ambos.

Merkel tem estado dividida entre chegar a acordo com Macron e manter os parceiros conservadores, que acusam o líder francês de procurar "uma união de transferências", na qual os países que recusam qualquer reforma seriam compensados com dinheiro alemão.

"Pessoalmente, não vejo funhdos tão extensos que possam ser administrados a nível intergovernamental como a proposta francesa prevê", afirmou Merkel à WDR.

"Mas consigo imaginar que temos que fazer algo, e algo mais do que para os países que não estão no euro, para a convergência da zona euro", acrescentou.

Ler mais

Exclusivos

Premium

Ricardo Paes Mamede

O populismo entre nós

O sucesso eleitoral de movimentos e líderes populistas conservadores um pouco por todo o mundo (EUA, Brasil, Filipinas, Turquia, Itália, França, Alemanha, etc.) suscita apreensão nos países que ainda não foram contagiados pelo vírus. Em Portugal vários grupúsculos e pequenos líderes tentam aproveitar o ar dos tempos, aspirando a tornar-se os Trumps, Bolsonaros ou Salvinis lusitanos. Até prova em contrário, estas imitações de baixa qualidade parecem condenadas ao fracasso. Isso não significa, porém, que o país esteja livre de populismos da mesma espécie. Os riscos, porém, vêm de outras paragens, a mais óbvia das quais já é antiga, mas perdura por boas e más razões - o populismo territorial.

Premium

João Gobern

Navegar é preciso. Aventuras e Piqueniques

Uma leitura cruzada, à cata de outras realidades e acontecimentos, deixa-me diante de uma data que, confesso, chega e sobra para impressionar: na próxima semana - mais exatamente a 28 de novembro - cumpre-se meio século sobre a morte de Enid Blyton (1897-1968). Acontece que a controversa escritora inglesa, um daqueles exemplos que justifica a ideia que cabe na expressão "vícios privados, públicas virtudes", foi a minha primeira grande referência na aproximação aos livros. Com a ajuda das circunstâncias, é certo - uma doença, chata e "comprida", obrigou-me a um "repouso" de vários meses, longe da escola, dos recreios e dos amigos nos idos pré-históricos de 1966. Esse "retiro" foi mitigado em duas frentes: a chegada de um televisor para servir o agregado familiar - com direito a escalas militantes e fervorosas no Mundial de Futebol jogado em Inglaterra, mas sobretudo entregue a Eusébio e aos Magriços, e os livros dos Cinco (no original The Famous Five), nada menos do que 21, todos lidos nesse "período de convalescença", de um forma febril - o que, em concreto, nada a tinha que ver com a maleita.

Premium

Henrique Burnay

O momento Trump de Macron

Há uns bons anos atrás, durante uns dias, a quem pesquisasse, no Yahoo ou Google, já não me lembro, por "great French military victories" era sugerido se não quereria antes dizer "great French military defeats". A brincadeira de algum hacker com sentido de ironia histórica foi mais ou menos repetida há dias, só que desta vez pelo presidente dos Estados Unidos, depois de Macron ter dito a frase mais grave que podia dizer sobre a defesa europeia. Ao contrário do hacker de há uns anos, porém, nem o presidente francês nem Donald Trump parecem ter querido fazer humor ou, mais grave, percebido a História e o presente.

Premium

Ruy Castro

Um Vinicius que você não conheceu

Foi em dezembro de 1967 ou janeiro de 1968. Toquei a campainha da casa na Gávea, bairro delicioso do Rio, onde morava Vinicius de Moraes. Vinicius, você sabe: o poeta, o compositor, o letrista, o showman, o diplomata, o boémio, o apaixonado, o homem do mundo. Ia entrevistá-lo para a Manchete, revista em que eu trabalhava. Um empregado me conduziu à sala e mandou esperar. De repente, passaram por mim, vindas lá de dentro, duas estagiárias de jornal ou, talvez, estudantes de jornalismo - lindas de morrer, usando perturbadoras minissaias (era a moda na época), sobraçando livros ou um caderno de anotações, rindo muito, e foram embora. E só então Vinicius apareceu e me disse olá. Vestia a sua tradicional camisa preta, existencialista, de malha, arregaçada nos cotovelos, a calça cor de gelo, os sapatos sem meias - e cheirava a talco ou sabonete, como se tivesse acabado de sair do banho.