May fecha-se com ministros na casa de campo à procura de acordo sobre o brexit

Reunião em Chequers é uma tentativa de acabar com as divisões no governo. Primeira-ministra vai discursar na quinta-feira

As ordens de Theresa May terão sido simples: ninguém sai de Chequers sem um acordo em relação à estratégia para o brexit. A primeira-ministra britânica reuniu ontem o núcleo duro do seu governo na casa de campo do século XVI, numa tentativa de pôr fim às divisões internas no executivo referentes à futura relação entre Reino Unido e União Europeia. O encontro permitirá esclarecer se Londres vai querer ou não manter o "alinhamento regulatório" com Bruxelas após o brexit, mas as conclusões podem ser só conhecidas no discurso de May, previsto para quinta-feira.

O ministro para o brexit, David Davis, tem defendido o que chama o modelo "Canadá mais, mais, mais". Este passa por um acordo de livre comércio com a União Europeia enquanto país terceiro, no qual os serviços financeiros estejam também livres de tarifas e tentando garantir um acesso privilegiado ao mercado único através do compromisso de elevados padrões de regulação.

Do lado do soft brexit, que prevê a manutenção de laços próximos com a União Europeia, está também o ministro das Finanças, Philip Hammond. Mas há quem, como o chefe da diplomacia Boris Johnson, continue a defender o hard brexit, que implica um corte total com a União Europeia, mesmo em caso de não haver acordo.

Mesmo com um entendimento ao nível do governo, nada garante contudo que Bruxelas aceite a proposta. A União Europeia já rejeitou a ideia de Londres fazer uma escolha seletiva e ficar apenas com aquilo que lhe interessa, por exemplo, do mercado único, livrando-se da livre circulação ou de contribuir para o orçamento europeu.

May e os 11 ministros chegaram a Chequers, a casa de campo oficial dos primeiros-ministros britânicos desde 1921, às 14.00, devendo o encontro prolongar-se para lá do jantar. Esta reunião surge a uma semana do discurso de May sobre a futura relação do Reino Unido com a União Europeia. A ideia é os ministros darem luz verde ao texto, que deverá por isso limitar-se a uma visão geral do tema, evitando os detalhes que causam divisão dentro do executivo.

Dias antes, na segunda-feira, o líder da oposição, Jeremy Corbyn, deverá clarificar a posição do Labour sobre o brexit. "Vai estabelecer os princípios que gostaríamos de alcançar numa negociação e como eles encaixam na nossa agenda mais vasta em relação à mudança económica", segundo indicou um assessor com conhecimento do discurso ao site Politico.

O presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, vai apresentar, como previsto, as orientações sobre a futura relação com o Reino Unido na cimeira europeia de 22 e 23 de março. Isto independentemente de haver um acordo referente ao período de transição, com o Reino Unido a querer retirar a referência a 31 de dezembro de 2020 que consta no texto atualmente em negociação.

Hoje, o chefe da diplomacia portuguesa, Augusto Santos Silva, recebe em Lisboa o ministro britânico para o brexit, David Davis. O número de portugueses que chegou ao Reino Unido para trabalhar caiu 26% em 2017 relativamente ao ano anterior, segundo as estatísticas britânicas. 22 622 portugueses registaram-se na segurança social, menos 7921 do que em 2016. No geral, no ano passado registaram-se menos 128 mil europeus do que em 2016, uma redução de 21%, com destaque para a Polónia (-34%), Hungria (-29%) e Espanha (-25%), além de Portugal.

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