May em maus lençóis: só 11% apoiam o seu plano de 'brexit'

Sondagem YouGov revela que 38% dos inquiridos votariam num novo partido à direita e, mais radical, 24% estariam preparados para apoiar um partido explicitamente anti-imigração e anti-islão.

Só um em cada nove eleitores (11%) apoiariam num referendo o plano de brexit da primeira-ministra britânica, Theresa May, e só 12% acreditam que este é bom para o Reino Unido, segundo uma sondagem YouGov para o The Sunday Times revelada neste domingo.

Mais, só 16% dos inquiridos acreditam que May está a fazer um bom trabalho com as negociações, enquanto 34% dizem que Boris Johnson faria melhor. O antigo chefe da diplomacia e um dos rostos da campanha para sair da União Europeia demitiu-se precisamente por não concordar com o plano da primeira-ministra para um soft brexit.

Além disso, 24% defendem que Donald Trump, o presidente dos EUA, negociaria bem o brexit. A sondagem YouGov ouviu 1668 adultos nos dias 19 e 20 de julho.

Na sondagem, 58% dos eleitores conservadores defendem que May devia manter-se na liderança do partido e continuar a lutar, comparado com 32% que gostariam que ela saísse.

Em relação a uma eventual mudança de líder à frente do Partido Conservador, Boris Johnson é o único que consegue empatar com Jeremy Corbyn, a 38%. Todos os eventuais rivais do ex-mayor de Londres à liderança dos Tories ficam a entre 5 e 11 pontos percentuais do líder trabalhista.

Novos partidos?

Entretanto, 38% dos eleitores votariam num novo partido à direita que se comprometesse com o brexit, contra 33% que apoiariam um novo partido centrista anti-brexit. Mais radical, 24% dos inquiridos estariam preparados para apoiar um partido explicitamente anti-imigração e anti-islão.

Segundo o The Sunday Times, doadores conservadores e aliados de Nigel Farage, o ex-líder do UKIP, estão a angariar fundos para criar precisamente um partido a favor de um hard brexit. A ajudar estará Steve Bannon, o ex-estratega de Trump, que quer angariar um milhão de libras para criar um movimento de extrema-direita para rivalizar com o Momentum, de extrema-esquerda, ligado ao Labour de Corbyn.

Não pagar a conta

A outro jornal britânico, o The Sunday Telegraph, o novo ministro do brexit, Dominic Raab, avisa que o Reino Unido não vai pagar a conta do "divórcio" com Bruxelas se não houver um acordo com a União Europeia que inclua um acordo de comércio. A conta é de 39 mil milhões de libras (43,6 mil milhões de euros).

"Não podes ter um lado a cumprir a sua parte do acordo e o outro a não cumprir, ou a ir devagar, ou não se comprometer", disse Raab, que substitui David Davis, que tal como Johnson se demitiu por não estar de acordo com o plano de May.

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