May adverte adversários: ou estão com ela ou não há brexit

A primeira-ministra britânica avisou os rivais no partido conservador de que se impedirem a sua estratégia para a saída da União Europeia o mais certo é não haver brexit. Câmara dos Comuns pode rejeitar legislação relacionada com o brexit.

A mensagem foi dada através do Facebook da governante ao escrever sobre as negociações para a saída do Reino Unido da União Europeia: "Neste fim de semana a minha mensagem ao país é simples: é necessário estarmos focados no resultado final. Caso contrário, arriscamo-nos a não ter brexit algum."

Faltam menos de nove meses para Bruxelas e Londres chegarem a um acordo final de separação e a sociedade britânica continua dividida sobre o brexit e os termos em que este deve ocorrer.
A primeira-ministra, ao fazer esta advertência, está a enviar uma mensagem à linha dura do partido conservador, que se mostra contra o plano delineado por Theresa May e aprovado pelo resto do governo.

No entanto, essa estratégia provocou a demissão dos ministros David Davis (Brexit) e Boris Johnson (Negócios Estrangeiros) e alimentou a especulação de que, a qualquer momento, a sua liderança fosse posta em causa através do pedido de uma moção de censura. Para tal, a linha de Boris Johnson teria de reunir 48 assinaturas de deputados (há 316 conservadores no parlamento).

O plano de May - que tem de ser aprovado por Bruxelas e no parlamento britânico - é uma tentativa de encontrar um equilíbrio entre o virar de costas entre as ilhas britânicas e o continente europeu e a continuidade, ao prever o estabelecimento de um acordo de livre movimento de bens entre o bloco europeu e o Reino Unido.

"Este é um momento para ser prático e pragmático - apoiando o nosso plano de retirar o Reino Unido da União Europeia", escreve May, que afirma "não estar aberta a debate" sobre a hipótese de uma fronteira entre a Irlanda do Norte e a República da Irlanda.

"Portanto, as negociações com a União Europeia não serão fáceis para Bruxelas - e eu não pretendo que sejam. Como o presidente Trump disse, sou uma negociadora dura. E assim como deixei claro na sexta-feira [a Trump] - digo ao povo britânico hoje: não vou a Bruxelas comprometer o nosso interesse nacional", concluiu.

Na segunda-feira recomeçam negociações entre funcionários britânicos e da União Europeia. Durante a semana, o novo ministro do Brexit, Dominic Raab irá a Bruxelas encontrar-se com o negociador Michel Barnier.

"Situação muito pior"

A mensagem de Theresa May pode ser vista como um sinal de fraqueza ou de desespero. Ao Observer , um membro do governo não identificado afirmou: "Estamos numa situação muito pior do que antes."

Além da popularidade da primeira-ministra ter caído e de o governo dar sinais de estar por um fio, há novos testes já na segunda e terça-feiras, quando a Câmara dos Comuns discutir e votar legislação relacionada com o brexit (sobre comércio e alfândegas). O governo pode sofrer uma derrota no parlamento.

Também na segunda-feira é retomada a ligação de Boris Johnson ao Telegraph. Na sua coluna de opinião não se prevê apoio à liderança de May.

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