Mateen frequentava discoteca gay. Mulher sabia do ataque

Noor Salman terá garantido ao FBI ter tentado impedir o marido de realizar o pior tiroteio de sempre nos Estados Unidos

Para os colegas de trabalho na empresa de segurança G4S, Omar Mateen era um homofóbico que não escondia o seu desprezo pelos homossexuais antes de na madrugada de domingo atacar uma discoteca gay e matar 49 pessoas em Orlando, na Florida. Uma imagem que contrasta com a do cliente simpático que várias testemunha se lembram de ter visto várias vezes no clube nos últimos três anos.

"Ele era muito simpático, costumávamos cumprimentar-nos. Não parecia o tipo de pessoa que faz uma coisa destas. Não faz sentido", explicou Chris Callen na CNN. O performer lembra-se de ver Mateen na Pulse duas vezes por mês nos últimos três anos. As últimas idas de Mateen à Pulse tiveram lugar nos primeiros dias de junho, na mesma altura em que o americano de origem afegã comprou duas armas numa loja perto da sua casa em Port St. Lucie, a 200 quilómetros de Orlando. No sábado, Mateen, de 29 anos, alugou um carro, conduziu até à Pulse, envolveu-se numa troca de tiros com um segurança, fez reféns as cerca de 300 pessoas no interior e matou 49 antes de ser abatido pela polícia quando esta fez o assalto à popular discoteca gay.

Kevin West, um cliente habitual da Pulse, contou ao Los Angeles Times que Mateen chegou a trocar mensagens com ele através de uma aplicação de chat e encontros gays. Mas nunca se conheceram pessoalmente. Até sábado, quando West viu Mateen a caminho da discoteca e o cumprimentou. Várias testemunhas lembravam-se de já ter visto o segurança, muitas vezes sentado a um canto, a beber sozinho, acabando por vezes por "ficar bêbado e falar alto", como contou ao Orlando Sentinel Ty Smith. Apesar de Mateen ser pouco falador, Smith lembra-se de o ter ouvido falar do pai e contar que tinha mulher e um filho.

A polícia está a seguir esta pista, investigando as idas de Mateen à Pulse, com a ideia de o atirador poder ser gay a ser reforçada pelas declarações de Sitora Yusufiy, a primeira mulher de Mateen, segundo a qual ele tinha "tendências gay". A americana de origem usbeque garantira antes aos jornalistas que Mateen lhe batia e que por isso se divorciaram em 2011, dois anos depois de se terem casado.

Esta ideia de Mateen ser homossexual contrasta com as declarações do seu pai, Seddique Mateen, que depois do tiroteio garantiu que o filho ficara indignado uns meses antes do ataque, ao ver dois homens a beijarem-se na rua em Miami, diante do filho de 3 anos, sugerindo que a homofobia podia ser o motivo para o ataque.

Visitas à Disney

A polícia e o FBI estão ainda a investigar uma visita de Mateen à Disney World de Orlando em finais de abril. O atirador esteve no parque de diversões com a segunda mulher, Noor Salman, e as autoridades desconfiam que poderia estar numa missão de reconhecimento, planeando um eventual atentado no local. Em declarações ontem ao FBI, Salman explicou estar presente também quando o marido comprou as munições para o ataque à Pulse e garantiu ter tentado impedi-lo de o fazer. A mulher de 30 anos contou ainda aos agentes ter conduzido uma vez o marido à discoteca para perceber o que ali fazia. O FBI está a ponderar acusá-la de cumplicidade.

As autoridades policiais ainda não conseguiram provar se o atirador tinha ou não ligações com grupos extremistas fora dos EUA. No dia do ataque, Mateen ligou para o 911 (o número de emergência americano) e jurou fidelidade ao Estado Islâmico. O grupo islamita radical que controla um vasto território na Síria e no Iraque e se notabilizou pelas execuções de ocidentais e foi responsável por atentados como o de novembro que fez 130 mortos em Paris já veio reivindicar o tiroteio na Pulse, dizendo ter sido praticado por um dos seus "combatentes".

Segundo o diretor do FBI, James Comey, Mateen terá sido radicalizado "em grande parte" através da propaganda divulgada pelo Estado Islâmico através da internet. Em conversas com os colegas de trabalho em 2013, o atirador havia garantido ser membro do grupo xiita libanês Hezbollah. A polícia está a investigar.

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