Rajoy quer governar a dialogar e negociar com todos os partidos

Mariano Rajoy deverá ser investido presidente do Governo espanhol no próximo sábado

O líder do Partido Popular (PP) espanhol, Mariano Rajoy, pediu hoje em Madrid a confiança do parlamento para formar Governo e assegurou que estará "aberto ao diálogo" e disposto a "negociar com todos" os partidos.

"Estou convencido de que entramos numa outra etapa política, de diálogo e consenso", disse Rajoy no discurso que abriu a discussão do programa de Governo, acrescentando que "se o Governo está em minoria terá de buscar colaboração".

Mariano Rajoy deverá ser investido presidente do Governo espanhol no sábado apesar de contar apenas com os apoios do partido de centro-direita Cidadãos e do deputado da Coligação Canária, que numa primeira votação, quinta-feira, não lhe darão a maioria absoluta dos 350 deputados do Congresso dos Deputados.

No entanto, na segunda votação que se irá realizar 48 horas depois, quando precisar apenas de obter a maioria simples a favor na câmara, deverá ser eleito como presidente do Governo devido à abstenção anunciada da maioria dos 85 deputados do Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE).

Mariano Rajoy definiu a continuação do crescimento económico e o emprego como os maiores desafios que o seu Governo vai ter: "Não podemos recuar nas reformas que nos permitiram criar meio milhão de empregos por ano", sublinhou.

Para que isso seja possível, pediu o apoio dos outros partidos para realizar reformas em áreas como as do regime de pensões, da saúde ou da educação, para só citar algumas.

Rajoy afirma que irá tentar cumprir as 150 medidas que negociou há dois meses com o Cidadãos e, sem nomear o PSOE, insistiu na necessidade de acordos mais amplos.

O candidato à presidência do executivo espanhol também rejeitou perentoriamente o desafio independentista colocado por alguns setores da Catalunha: "Ninguém pode privar o povo espanhol do seu direito exclusivo de decidir sobre o seu futuro e território", disse.

O presidente do atual Governo de gestão convidou os partidos a "enriquecer" o pacto anticorrupção, reconhecendo os casos de corrupção existentes com pessoas do PP e avisou que "ninguém pode presumir infabilidade", a pensar, sem o dizer, nas outras forças políticas.

Mariano Rajoy também pediu acordos com os outros partidos para aprovar o Orçamento Geral do Estado espanhol para 2017, que considerou ser "uma peça chave da política económica".

O candidato do PP concluiu o seu discurso de investidura afirmando que, depois da formação do futuro executivo, podem surgir "dificuldades", mas prometeu enfrentá-las e "suportar os sacrifícios que sejam necessários".

Se se confirmar a aprovação da sua investidura, Mariano Rajoy poderá vir a tomar posse no domingo ou, no máximo, na segunda-feira, o último dia do mês e prazo limite para que isso aconteça, evitando a marcação de novas eleições, como estipula a Constituição espanhola.

O líder do PP falhou uma primeira tentativa de investidura há dois meses, quando apenas contou com o apoio do Cidadãos e da deputada da Coligação Canária e a oposição de todos os outros partidos.

O PP foi o partido mais votado, mas sem conseguir a maioria absoluta, tanto nas eleições que se realizaram a 20 de dezembro de 2015 como nas eleições de 26 de junho em que aumentou a percentagem de votantes e o número de deputados.

O PP teve em junho 33,0 % dos votos e 137 deputados, seguido pelo PSOE com 22,7 % e 85 deputados, Unidos Podemos com 21,1 % e 71 deputados e Cidadãos com 13,0 % e 32 deputados.

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