Rajoy na hora da despedida: "Somos uma grande nação apesar de alguns a denegrirem"

Mariano Rajoy despediu-se esta sexta-feira em Madrid do cargo de presidente do Partido Popular (PP) sublinhando vitórias sobre a crise económica e a tentativa independentista na Catalunha durante os anos em que foi primeiro-ministro (2011-2018)

"Hoje podemos dizer com legítimo orgulho que a Espanha está muito melhor do que quando chegámos ao Governo" em 2011, disse Rajoy no discurso de despedida, no primeiro dia do congresso extraordinário do Partido Popular (PP) que este fim-de-semana escolhe entre Soraya Sáenz de Santamaría e Pablo Casado, quem será o próximo líder da direita espanhola.

No meio dos aplausos dos delegados, Rajoy recordou a sua gestão durante os sete anos em que esteve à frente do Governo até ser afastado em 01 de junho último por uma moção de censura apresentada pelo Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE) com o apoio do Unidos Podemos (extrema-esquerda) e de outros partidos mais pequenos.

O ainda presidente do PP assegurou que o seu executivo soube encontrar fórmulas "boas" para enfrentar o desafio colocado pelos independentistas na Catalunha.

Rajoy recordou que aqueles envolvidos na tentativa secessionista estão na prisão ou fugidos no estrangeiro, tendo citado expressamente Carles Puigdemont, que não conseguiu voltar a exercer as funções que pretendia "por muito que tenha tentado".

"Somos uma grande nação, apesar de alguns a denegrirem", disse Mariano Rajoy, acrescentando que o país é agora reconhecido no mundo "pela qualidade da sua democracia".

O ex-governante concluiu que a sua gestão se baseou na aplicação das leis, na segurança, na moderação e na eficácia, e garantiu que, "quando as dificuldades aumentam", os espanhóis voltam a olhar para o PP, à procura de segurança de certezas.

"Afasto-me, mas não me vou" embora, assegurou Mariano Rajoy no final do discurso de despedida, insistindo que continuará a ser "leal" ao PP.

O líder explicou que não se podia ir embora completamente porque dedicou "muito mais do que meia vida" ao partido e continuará a dar ao PP o que for necessário, mas "longe das luzes da primeira linha".

Sem mencionar nenhum dos dois candidatos à sua sucessão, Rajoy pediu para todos serem "responsáveis" no seu trabalho futuro e preparados para dar sempre "a resposta adequada"

Mariano Rajoy foi presidente do Partido Popular durante 14 anos e primeiro-ministro nos últimos sete, desde 2011, até ser afastado do poder.

O ex-chefe do Governo também renunciou ao lugar de deputado, ao qual poderia ter regressado, e apresentou-se ao trabalho no seu antigo posto de funcionário público na conservatória de registo civil de Santa Pola (Alicante) poucos dias depois de sair da chefia do Governo.

O congresso do PP termina no sábado quando ao final da manhã for conhecida a decisão dos 3.082 delegados que irão votar entre os dois candidatos a presidente.

A mais votada nas primárias, Soraya Sáenz de Santamaría, com 47 anos e até 1 de junho último vice-primeira-ministra do Governo de Mariano Rajoy, insistiu ao longo de toda a campanha na necessidade de "integrar" o outro candidato numa lista única ao congresso que seria liderada por ela.

Por seu lado, Pablo Casado, com 37 anos e vice-secretário do PP, recusou que essa "integração" e defendeu que a "unidade" do partido deve ser mantida, mas apenas depois da escolha do novo líder.

Ler mais

Exclusivos

Premium

Henrique Burnay

Discretamente, sem ninguém ver

Enquanto nos Estados Unidos se discute se o candidato a juiz do Supremo Tribunal de Justiça americano tentou, ou não, há 36 anos abusar, ou mesmo violar, uma colega (quando tinham 17 e 15 anos), para além de tudo o que Kavanauhg pensa, pensou, já disse ou escreveu sobre o que quer que seja, em Portugal ninguém desconfia quem seja, o que pensa ou o que pretende fazer a senhora nomeada procuradora-geral da República, na noite de quinta-feira passada. Enquanto lá se esmiúça, por cá elogia-se (quem elogia) que o primeiro-ministro e o Presidente da República tenham muito discretamente combinado entre si e apanhado toda a gente de surpresa. Aliás, o apanhar toda a gente de surpresa deu, até, direito a que se recordasse como havia aqui genialidade tática. E os jornais que garantiram ter boas fontes a informar que ia ser outra coisa pedem desculpa mas não dizem se enganaram ou foram enganados. A diferença entre lá e cá é monumental.

Premium

Ruy Castro

À falta do Nobel, o Ig Nobel

Uma das frustrações brasileiras históricas é a de que, até hoje, o Brasil não ganhou um Prémio Nobel. Não por falta de quem o merecesse - se fizesse direitinho o seu dever de casa, a Academia Sueca, que distribui o prémio desde 1901, teria descoberto qualidades no nosso Alberto Santos-Dumont, que foi o verdadeiro inventor do avião, em João Guimarães Rosa, autor do romance Grande Sertão: Veredas, escrito num misto de português e sânscrito arcaico, e, naturalmente, no querido Garrincha, nem que tivessem de providenciar uma categoria especial para ele.