Rajoy admite abandonar a política de "forma definitiva"

Ex-primeiro-ministro espanhol tinha anunciado a saída da liderança do PP

O ex-presidente do governo espanhol Mariano Rajoy admitiu hoje abandonar a política de forma definitiva afirmando que "não faz sentido" continuar após uma vida de "enorme intensidade".

"Não faz sentido continuar mais tempo aqui (na política)", disse Rajoy em entrevista à rádio Cope, acrescentando que vai decidir em breve o "futuro" depois de uma vida política de "enorme intensidade".

Na véspera, tinha anunciado a saída da liderança do PP. Eleito pela primeira vez na sua Galiza natal, em 1981, Rajoy liderava o PP desde 2004 e estava na chefia do governo espanhol desde dezembro de 2011.

O ex-primeiro-ministro, afastado por uma moção de censura na semana passada, disse que "há mais coisas para fazer na vida" além do desempenho de atividades políticas.

Rajoy disse ainda que não fazia sentido demitir-se "porque não tinha feito nada de mal". A moção de censura foi desencadeada pela sentença do caso Gurtel, com o tribunal a dar como provado um esquema de corrupção que terá sido usado por empresários e políticos para financiar o PP.

Rajoy afirmou também que o "centro-direita" espanhol "não tem de ser reconstruído", reagindo de forma direta às palavras de Jose Maria Aznar, ex-líder do PP e antigo primeiro-ministro que na terça-feira se ofereceu para colaborar na "reconstrução" do campo político do centro-direita.

Ler mais

Exclusivos

Premium

Henrique Burnay

Discretamente, sem ninguém ver

Enquanto nos Estados Unidos se discute se o candidato a juiz do Supremo Tribunal de Justiça americano tentou, ou não, há 36 anos abusar, ou mesmo violar, uma colega (quando tinham 17 e 15 anos), para além de tudo o que Kavanauhg pensa, pensou, já disse ou escreveu sobre o que quer que seja, em Portugal ninguém desconfia quem seja, o que pensa ou o que pretende fazer a senhora nomeada procuradora-geral da República, na noite de quinta-feira passada. Enquanto lá se esmiúça, por cá elogia-se (quem elogia) que o primeiro-ministro e o Presidente da República tenham muito discretamente combinado entre si e apanhado toda a gente de surpresa. Aliás, o apanhar toda a gente de surpresa deu, até, direito a que se recordasse como havia aqui genialidade tática. E os jornais que garantiram ter boas fontes a informar que ia ser outra coisa pedem desculpa mas não dizem se enganaram ou foram enganados. A diferença entre lá e cá é monumental.

Premium

Ruy Castro

À falta do Nobel, o Ig Nobel

Uma das frustrações brasileiras históricas é a de que, até hoje, o Brasil não ganhou um Prémio Nobel. Não por falta de quem o merecesse - se fizesse direitinho o seu dever de casa, a Academia Sueca, que distribui o prémio desde 1901, teria descoberto qualidades no nosso Alberto Santos-Dumont, que foi o verdadeiro inventor do avião, em João Guimarães Rosa, autor do romance Grande Sertão: Veredas, escrito num misto de português e sânscrito arcaico, e, naturalmente, no querido Garrincha, nem que tivessem de providenciar uma categoria especial para ele.