Maquinista abandona comboio e deixa 109 passageiros "pendurados"

O funcionário alegou que já tinha ultrapassado a hora de fim de turno

Um maquinista da empresa espanhola Renfe abandonou o comboio que dirigia a meio de uma viagem entre Santander e Madrid, deixando 109 passageiros parados duas horas em Osorno (Palência), alegando que tinha terminado a seu turno.

De acordo com informações da Renfe (empresa que opera a rede ferroviária espanhola) prestadas à agência EFE, o comboio saiu de Santander cerca das 19:00 horas (18:00 em Lisboa) e deveria chegar a Madrid às 23:15 horas. No entanto, ao chegar a Osorno, cerca das 21:15 horas, o maquinista solicitou a sua substituição por já ter ultrapassado a hora de fim de turno.

A Renfe disse que isto obrigou o centro operacional a montar um plano alternativo de transporte dos passageiros por estrada (recorrendo a dois autocarros). Outros passageiros com bilhete para o mesmo comboio foram encaminhados para comboios alternativos.

A companhia disse que, apesar de ter tentado, não conseguiu encontrar autocarros para completar a viagem até cerca das 23:00.

Um dos autocarros levou passageiros até Palência, Valladolid e Madrid e o outro levou passageiros que iam para a capital espanhola.

A Renfe, que pediu desculpas aos passageiros, adiantou que os passageiros têm direito à restituição da totalidade do valor pago pelo bilhete, ao abrigo do "Compromisso de Pontualidade da Renfe".

Acrescentou que o regulamento interno indica que "é obrigação do maquinista informar com caráter prévio o seu pedido de substituição", para que a empresa possa organizar tudo com antecipação.

A Renfe abriu uma investigação interna, pelo que o maquinista terá de explicar todos os detalhes que envolvem o incidente.

Na eventualidade de se comprovar que o maquinista não obedeceu ao regulamento, a empresa poderá abrir um processo disciplinar e punir o trabalhador.

Ler mais

Premium

Rosália Amorim

Crédito: teremos aprendido a lição?

Crédito para a habitação, crédito para o carro, crédito para as obras, crédito para as férias, crédito para tudo... Foi assim a vida de muitos portugueses antes da crise, a contrair crédito sobre crédito. Particulares e também os bancos (que facilitaram demais) ficaram com culpas no cartório. A pergunta que vale a pena fazer hoje é se, depois da crise e da intervenção da troika, a realidade terá mudado assim tanto? Parece que não. Hoje não é só o Estado que está sobre-endividado, mas são também os privados, quer as empresas quer os particulares.