Maquilharam rapaz de 9 anos para esconder marcas de violência doméstica

Tias da criança agrediram-na aproveitando ausência da mãe. Quiseram esconder as marcas da agressão com maquilhagem, mas a escola duvidou

Aconteceu na Galiza, Espanha, na semana passada: os professores do centro escolar de Mondoñedo repararam que um rapaz de nove anos trazia no rosto uma grossa camada de maquilhagem, que dizia ter-lhe sido colocada em casa devido às marcas na pele causadas por alergias. Mas os docentes duvidaram da história e levaram-no a um posto médico, onde se comprovou que a maquilhagem escondia, afinal, marcas de violência física, conta o El País.

A criança teria sido instruída em casa para dizer na escola que se tratava de reações alérgicas, mas acabou por admitir que tinha sido agredida por duas tias, com quem vivia, para além da mãe e da avó.

As tias foram entretanto detidas e acusadas de violência doméstica, e proibidas de manter qualquer contacto com a vítima.

Segundo o La Voz de Galicia, as duas mulheres foram obrigadas a abandonar a casa onde residiam. Terão agredido a criança aproveitando a ausência da mãe desta, que deixara o filho entregue à família à noite, durante o horário de trabalho.

O caso está a ser investigado pelas autoridades.

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'Motu proprio' anti-abusos

1. Muitas vezes me tenho referido aqui, e não só aqui, à tragédia da pedofilia na Igreja. Foram milhares de menores e adultos vulneráveis que foram abusados. Mesmo sabendo que o número de pedófilos é muito superior na família e noutras instituições, a gravidade da situação na Igreja é mais dramática. Por várias razões: as pessoas confiavam na Igreja quase sem condições, o que significa que houve uma traição a essa confiança, e o clero e os religiosos têm responsabilidades especiais. O mais execrável: abusou-se e, a seguir, ameaçou-se as crianças para que mantivessem silêncio, pois, de outro modo, cometiam pecado e até poderiam ir para o inferno. Isto é monstruoso, o cume da perversão. E houve bispos, superiores maiores, cardeais, que encobriram, pois preferiram salvaguardar a instituição Igreja, quando a sua obrigação é proteger as pessoas, mais ainda quando as vítimas são crianças. O Papa Francisco chamou a esta situação "abusos sexuais, de poder e de consciência". Também diz, com razão, que a base é o "clericalismo", julgar-se numa situação de superioridade sagrada e, por isso, intocável. Neste abismo, onde é que está a superioridade do exemplo, a única que é legítimo reclamar?