Trump admite enviar "animal" que atacou em Nova Iorque para Guantánamo

Presidente dos EUA garante que vai acabar também com lotaria de vistos, programa através do qual o alegado agressor entrou no país

Donald Trump, que esta quarta-feira se reuniu com a administração norte-americana na sequência do ataque em Nova Iorque, que fez oito vítimas mortais e 11 feridos, respondeu a um jornalista que considera mandar o suspeito do atentado para a prisão militar de Guantánamo, em Cuba. "Certamente que consideraria isso. Mandem-no para Gitmo", disse. Recorde-se que Barack Obama prometeu fechar Guantánamo, mas chegou ao final dos mandatos sem o conseguir.

Antes, em declarações aos jornalistas, o presidente dos EUA já garantira que o "animal" responsável pelo atentado seria investigado.

Na mesma ocasião, Trump garantiu que irá terminar o Programa de Vistos de Diversidade. "Vou pedir ao congresso que se livre imediatamente deste programa".

Horas antes, Trump já deixaram antever ação semelhante, ao escrever no Twitter que o condutor da carrinha que investiu contra quem passava numa ciclovia no coração de Nova Iorque chegou aos Estados Unidos através do Programa de Lotaria de Vistos de Diversidade, "uma beleza do Chuck Schumer", senador democrata do estado de Nova Iorque.

"Estamos a lutar arduamente por uma imigração baseada no mérito, não queremos mais sistemas de lotaria democratas. Temos de nos tornar muito mais duros (e espertos)", frisou Trump.

Logo a seguir ao ataque de terça-feira, o Presidente dos Estados Unidos tinha anunciado o reforço do controlo das entradas de estrangeiros no país.

O senador Schumer respondeu a Trump, igualmente na rede social Twiter. "O Presidente Trump, em vez de politizar e dividir a América, o que sempre parece fazer em épocas de tragédia nacional, devia unir-nos", criticou, acrescentando: "O Presidente Trump devia focar-se na solução real - o financiamento do antiterrorismo, que ele propôs cortar no mais recente orçamento."

O referido programa eletrónico seleciona aleatoriamente imigrantes de países com baixas taxas de migração para os Estados Unidos. Anualmente, cerca de 50 mil pessoas entram no país através do programa, que abre caminho à cidadania americana.

O departamento de Segurança Interna já confirmou entretanto que Sayfullo Saipov, o suspeito do ataque, entrou no país em 2010 com um visto do programa de diversidade.

Saipov, motorista da Uber com ligações ao Estado Islâmico

Segundo o governador de Nova Iorque, Andrew Cuomo, o autor do ataque "está ligado" ao autoproclamado Estado Islâmico e "radicalizou-se" nos Estados Unidos.

A identidade do atacante não foi divulgada oficialmente pelas autoridades (que disseram simplesmente tratar-se de um homem de 29 anos), mas, segundo a comunicação social local, trata-se de Sayfullo Saipov, de 29 anos, natural do Uzbequistão. Com carta de condução da Flórida, tem residência em Nova Jérsia. Segundo o jornal New York Times, trabalhava como motorista da Uber e já estaria no radar da polícia americana.

O ataque - o primeiro em Nova Iorque com registo de mortos desde os atentados contra o World Trade Center a 11 de setembro de 2001 - causou oito mortos, entre os quais seis estrangeiros (uma belga, cinco argentinos), e feriu onze pessoas (cinco das quais estrangeiras: três belgas, uma alemã e um argentino), que estão hospitalizadas, mas fora de perigo.

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