Manada em liberdade com fiança de seis mil euros

Os cinco jovens, oriundos de Sevilha, tinham sido condenados a nove anos de prisão por abuso, mas não por agressão sexual ou violação, uma sentença que suscitou uma vaga de indignação por toda a Espanha

A Segunda Seção da Audiencia Provincial de Navarra decretou hoje a liberdade condicional, sob fiança de seis mil euros, para os cinco membros da Manada, nome pelo qual ficou conhecido o grupo de jovens condenado por abusos sexuais a uma jovem madrilena nas Festas de San Fermín, em Pamplona, em 2016.

O auto, citado pela agência Efe, dá conta de um voto contra do presidente do tribunal, José Francisco Cobo, o qual defendeu que os jovens deveriam continuar em prisão preventiva. Onde passaram os últimos dois anos.

Além da fiança de seis mil euros, os cinco sevilhanos são obrigados a comparecer todas as segundas, quartas e sextas-feiras perante as autoridades da sua área de residência, estão proibidos de entrar na Comunidade de Madrid, onde vive a vítima, bem como de comunicar com ela. Ficarão sem passaporte e estão proibidos de sair de Espanha sem autorização prévia dos tribunais.

Os cinco jovens foram condenados em abril a nove anos de prisão, por abuso, mas não por agressão sexual ou violação. Também na altura, a sentença não foi unânime entre os três magistrados. Um deles, Ricardo González, defendeu a absolvição da Manada (como se autointitulava o grupo no WhatsApp). O juiz alegou que, nos vídeos que eles gravaram, com recurso ao telemóvel, a expressão do rosto da vítima era "relaxada e descontraída" e, por isso, "incompatível com qualquer sentimento de medo, rejeição ou recusa" e que "os seus gestos e sons sugerem prazer".

A sentença gerou indignação e levou milhares de pessoas às ruas em diferentes cidades espanholas sob os lemas "não é abuso, é violação", "não é não" e "eu acredito em ti". Palavras de ordem transformadas em hashtags nas redes sociais, entre as mais usadas no Twitter a nível mundial, havendo quem questione que mulher se atreverá agora a denunciar este tipo de violência.

Os factos ocorreram há quase dois anos, na madrugada de 7 de julho de 2016, durante as Festas de San Fermín, em Pamplona. Ela, estudante de 18 anos de Madrid, tinha viajado com um amigo, que a meio da noite foi dormir para o carro. Ela, que tinha estado a beber, ficou com um grupo que tinha acabado de conhecer, mas perdeu-se deles. Sentou-se num banco e foi aí que um dos cinco arguidos - todos sevilhanos, na casa dos 20 anos -, meteu conversa, enquanto os outros iam rondando. Quando resolveu ir ter com o amigo ao carro, eles ofereceram-se para ir com ela.

Pelo caminho, eles tentaram arranjar um quarto de hotel, sem que ela se apercebesse, e um deles começou a beijá-la, sem que ela oferecesse resistência. Acabaria por ser levada para o vão da escada de um prédio, onde eles a sujeitaram a sexo oral, vaginal e anal, filmando no total 96 segundos dos atos com telemóvel. Antes de a deixarem, um deles roubou-lhe o telemóvel. Sozinha, vestiu-se e saiu para a rua em lágrimas, apercebendo-se que não tinha forma de contactar o amigo. Sentou-se a chorar num banco, onde um casal a abordou e pouco depois a polícia, que tomou conta do caso.

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