Mais de 20.000 combatentes do EI ainda na Síria e no Iraque

Alguns Estados membros da ONU manifestaram preocupação com a hipótese de verem surgir células do EI no campo de refugiados de Rokban, situado na zona controlada pelos Estados Unidos no sul da Síria e onde residem famílias de combatentes.

Entre 20.000 e 30.000 combatentes do grupo extremista Estado Islâmico (EI) estão ainda presentes na Síria e no Iraque, segundo um relatório da ONU hoje divulgado. Entre esses membros do EI, que se dividem em igual proporção entre a Síria e o Iraque, "está uma grande parte dos milhares de combatentes terroristas estrangeiros", apesar das derrotas militares e do recuo daquela organização jihadista na região, pode ler-se no documento redigido pelos observadores das Nações Unidas.

De acordo com a mesma fonte, entre 3000 e 4000 combatentes do EI estão ainda instalados na Líbia, ao passo que os principais responsáveis da organização 'jihadista' operam agora a partir do Afeganistão. O EI perdeu o controlo da maior parte do seu autoproclamado "califado", depois de ter sido expulso em 2017 de Mossul e Raqa, os dois bastiões do grupo jihadista sunita no Iraque e na Síria.

Alguns Estados membros da ONU manifestaram preocupação com a hipótese de verem surgir células do EI no campo de refugiados de Rokban, situado na zona controlada pelos Estados Unidos no sul da Síria e onde residem famílias de combatentes.

Quanto aos jihadistas que abandonam o território controlado pelo EI, o seu número "continua mais baixo que o esperado", mas "muitos deles foram para o Afeganistão", refere o relatório.

Sobre as forças presentes no Iémen, o EI só dispõe de menos de 500 homens, contra mais de 6000 do outro grande grupo jihadista, a Al-Qaida.

Ler mais

Premium

Ruy Castro

À falta do Nobel, o Ig Nobel

Uma das frustrações brasileiras históricas é a de que, até hoje, o Brasil não ganhou um Prémio Nobel. Não por falta de quem o merecesse - se fizesse direitinho o seu dever de casa, a Academia Sueca, que distribui o prémio desde 1901, teria descoberto qualidades no nosso Alberto Santos-Dumont, que foi o verdadeiro inventor do avião, em João Guimarães Rosa, autor do romance Grande Sertão: Veredas, escrito num misto de português e sânscrito arcaico, e, naturalmente, no querido Garrincha, nem que tivessem de providenciar uma categoria especial para ele.

Premium

João Taborda da Gama

Le pénis

Não gosto de fascistas e tenho pouco a dizer sobre pilas, mas abomino qualquer forma de censura de uns ou de outras. Proibir a vista dos pénis de Mapplethorpe é tão condenável como proibir a vinda de Le Pen à Web Summit. A minha geração não viveu qualquer censura, nem a de direita nem a que se lhe seguiu de esquerda. Fomos apenas confrontados com alguns relâmpagos de censura, mais caricatos do que reais, a última ceia do Herman, o Evangelho de Saramago. E as discussões mais recentes - o cancelamento de uma conferência de Jaime Nogueira Pinto na Nova, a conferência com negacionista das alterações climáticas na Universidade do Porto - demonstram o óbvio: por um lado, o ato de proibir o debate seja de quem for é a negação da liberdade sem mas ou ses, mas também a demonstração de que não há entre nós um instinto coletivo de defesa da liberdade de expressão independentemente de concordarmos com o seu conteúdo, e de este ser mais ou menos extremo.

Premium

Alemanha

Lar de Dresden combate demência ao estilo Adeus, Lenin!

Uma moto, numa sala de cinema, num lar de idosos, ajudou a projetar memórias esquecidas. O AlexA, na cidade de Dresden, no leste da Alemanha, tem duas salas dedicadas às recordações da RDA. Dos móveis aos produtos de supermercado, tudo recuperado de uma Alemanha que deixou de existir com a queda do Muro de Berlim. Uma viagem no tempo para ajudar os pacientes com demências.

Premium

Adolfo Mesquita Nunes

A direita definida pela esquerda

Foi a esquerda que definiu a direita portuguesa, que lhe identificou uma linhagem, lhe desenhou uma cosmologia. Fê-lo com precisão, estabelecendo que à direita estariam os que não encaram os mais pobres como prioridade, os que descendem do lado dos exploradores, dos patrões. Já perdi a conta ao número de pessoas que, por genuína adesão ao princípio ou por mero complexo social ou de classe, se diz de esquerda por estar ao lado dos mais vulneráveis. A direita, presumimos dessa asserção, está contra eles.